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Imagem ilustrativa da imagem Quando o calendário aperta, o talento vira atalho

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Blog do Marlon

Quando o calendário aperta, o talento vira atalho


				Quando o calendário aperta, o talento vira atalho
Elenco do CRB em treinamento.. (Foto: Divulgação/CRB)

Fisiologia, no futebol, é a área que ajuda a medir o desgaste do corpo e a definir até onde dá para ir sem perder rendimento nem aumentar o risco de lesão.

Parece simples, e é. O problema é que o calendário complica tudo.

O CRB jogou no domingo, só chegou a Maceió na segunda-feira, por volta das 22h, e já entrou numa sequência de treino terça, quarta concentração, jogos quinta e domingo. Isso praticamente engole a semana. Não há espaço real para treino normal, daqueles com repetição, correção mais profunda, ajuste de movimentação e evolução coletiva. O que sobra são sessões curtas, recuperação, vídeo, conversa e controle de carga.

É por isso que visualizamos tantos jogos tecnicamente abaixo.


				Quando o calendário aperta, o talento vira atalho
(Foto: CBF Academy }

Muita gente olha só para o campo e resume tudo a falta de qualidade, repertório ou coragem. Às vezes até existe isso. Mas, em várias rodadas, o problema também está no pouco tempo para treinar de verdade. Sem repetição, sem encaixe fino, sem perna fresca, o jogo coletivo perde fluidez. O time compete, corre, luta, mas nem sempre consegue jogar bem.

Nesse cenário, a individualidade passa a ter ainda mais peso.

Quando o coletivo não pode ser trabalhado como deveria, o talento vira atalho. O Palmeiras mostrou isso. Em jogo de rotação alta contra o Bahia, quando o desgaste já achatava a parte técnica, a decisão apareceu na qualidade individual. Arias resolveu numa ação acima da média. Depois, já perto dos 90 minutos, Andreas cobrou um escanteio como se fosse um míssil teleguiado. Tem lance que nasce do treino. Mas tem hora em que nasce do talento. E, em calendário sufocante, isso vale ouro.

Esse detalhe quase nunca entra no debate. Fala-se muito em poupar, vetar, rodar elenco. Fala-se pouco sobre o principal efeito colateral dessa maratona, a queda do nível técnico e o aumento da dependência de quem consegue decidir no detalhe.

Por isso a fisiologia ganhou tanto espaço. Não como desculpa, mas como necessidade. No fim, a discussão é bem mais simples do que parece. Fisiologia, no futebol, é tentar equilibrar saúde e rendimento num calendário que quase não deixa treinar. O torcedor cobra resultado, com razão. Mas entender esse bastidor ajuda a enxergar por que, muitas vezes, o time não treina para evoluir. Treina para suportar a sequência sem quebrar. Quando falta tempo para lapidar o coletivo, sobra espaço para quem tem qualidade para destravar o jogo.