
O primeiro duelo entre Nacional e CSA começou antes da bola rolar.
Os dois treinadores tiveram uma semana inteira para preparar o playoff e foi justamente na estratégia que o Nacional conseguiu construir a primeira vantagem.
O CSA parecia preparado para enfrentar um Nacional com três zagueiros, alas altos e uma linha de cinco sem a bola. A ideia azulina era clara: recuperar e atacar rapidamente as costas dos alas, explorando o corredor externo dos zagueiros.
Só que Thiago Gomes mudou o cenário.
O Nacional iniciou em uma base de 1-4-2-3-1, com Sassá fixando os zagueiros, Rafa Marcos circulando de fora para dentro e sempre por perto dele e Renanzinho começando a partida, mesmo depois de admitir durante a semana que ainda não estava 100%.
Foi uma escolha importante.
Renanzinho deu mais passe vertical, qualidade na bola parada e conexão entre meio e ataque. O Nacional colocou mais gente por dentro e obrigou o CSA a enfrentar um jogo diferente daquele que parecia ter preparado.
E o castigo veio cedo.
Com dois minutos, Sassá aproveitou a falha de Yago e abriu o placar. Aos 15, Renanzinho ampliou de pênalti.
O CSA reagiu rapidamente. Matheus Melo diminuiu aos 18 e recolocou o time na partida. Jogada tem Everton Heleno atraindo o volante e Matheus flutuando como meia , zagueiros sem referência e uma pancada no alvo.
Era o momento para reorganizar o jogo.
Não aconteceu.
Aos 33 minutos aparece um lance que ajuda a explicar a dificuldade azulina. Rian tenta sustentar a bola no ataque, perde o duelo para Ryan Santos e o Nacional acelera. Caio Hila não consegue diminuir o espaço, Rifle recebe em condição de cruzar e Rafa Marcos aparece para fazer o terceiro.
Não foi apenas um gol.
Foi consequência de um primeiro tempo em que o CSA perdeu duelos, ofereceu espaço e teve dificuldade para controlar as transições do Nacional.
Ainda houve um lance que poderia tornar a situação ainda mais pesada. Rafael Klein marcou pênalti para o Nacional, mas o VAR corrigiu a decisão e apontou simulação.
O intervalo chegou com 3 a 1 e com Moacir Júnior precisando corrigir não apenas nomes, mas o próprio funcionamento da equipe.
Na segunda etapa, com Fabrício Bigode e Dudu Figueiredo, o CSA conseguiu aproximar mais os setores, controlar melhor a posse e diminuir os espaços.
Defensivamente, melhorou. Ofensivamente, produziu pouco.
As melhores oportunidades vieram nas bolas paradas, principalmente com Félix Jorge atacando o jogo aéreo e levando perigo em duas cabeçadas.
Foi insuficiente para reduzir a diferença.
Moacir tentou fazer diferente em Manaus. Mudou peças, alterou o desenho e buscou surpreender o Nacional.
Dessa vez, não funcionou.
E existe um dado que precisa entrar nessa análise.
O CSA chegou ao terceiro jogo recente diretamente ligado ao acesso somando seis gols sofridos e apenas um marcado.
Uberlândia 1 x 0 CSA.
CSA 0 x 2 Uberlândia.
Nacional 3 x 1 CSA.
O problema, portanto, não está apenas no resultado de Manaus.
Está na dificuldade que o CSA vem encontrando para ser competitivo quando a margem de erro praticamente desaparece.
Agora o regulamento ainda oferece uma porta.
Quinta-feira, no Rei Pelé, uma vitória por dois gols de diferença leva o CSA para a Série C.

A matemática é simples. O desafio será muito mais complexo.
O CSA terá de buscar dois gols sem transformar a necessidade de atacar em espaço para Sassá, Rafa Marcos, Rifle e Renanzinho.
Depois do que aconteceu em Manaus, a decisão passa também pela capacidade de Moacir Júnior de encontrar uma resposta para aquilo que Thiago Gomes apresentou no primeiro jogo.
O Nacional venceu a primeira batalha também na estratégia.
Quinta-feira, caberá ao CSA mostrar se tem capacidade para mudar o roteiro.