
Existe um fenômeno curioso que antecede toda Copa do Mundo.
Quanto mais nos aproximamos da competição, mais cresce no Brasil um discurso derrotista. Não é difícil encontrar quem afirme que a Seleção não passa da primeira fase, que não tem craques ou que está muito atrás das principais potências europeias.
O curioso é que esse pensamento praticamente não existe fora daqui.
Analistas internacionais costumam colocar o Brasil entre os quatro principais candidatos ao título. Técnicos evitam enfrentar a camisa amarela. Jogadores demonstram respeito. Mbappé, recentemente, lembrou um detalhe que dispensa explicações: apenas uma seleção entra em campo com cinco estrelas no peito.
E esse respeito não é sustentado apenas pela história.
Vinicius Júnior é protagonista no Real Madrid. Raphinha tornou-se peça fundamental no Barcelona. Bruno Guimarães comanda o meio-campo do Newcastle. Marquinhos segue como referência defensiva na Europa. Gabriel Magalhães vive talvez o melhor momento da carreira. Mateus Cunha chega em alta o brasileiro recordista de gols em uma edição da Premier League , foram 15 .

O Brasil não exporta jogadores. Exporta protagonistas.
Isso significa que o hexa está garantido? Evidentemente não. Copa do Mundo não se conquista pelo currículo, pelo valor de mercado ou pela tradição. O futebol adora contrariar previsões.
Aliás, existe até uma velha superstição no esporte: muitas seleções que chegam cercadas de desconfiança acabam crescendo justamente porque entram sem a obrigação criada pelo excesso de euforia.
Mas há uma diferença entre reconhecer que a competição será difícil e transformar a maior seleção da história em azarã.
Talvez o Brasil seja eliminado cedo. O futebol permite esse tipo de surpresa.
O que parece difícil de explicar é outra coisa: enquanto o mundo olha para a Seleção Brasileira e enxerga uma das grandes candidatas ao título, o único lugar onde ela precisa convencer as pessoas de que é forte continua sendo dentro do próprio Brasil.
Talvez a Copa desminta quem acredita nela.
Mas é impossível ignorar uma ironia: a única seleção pentacampeã do mundo conseguiu um feito que nenhuma outra alcançou.
Convencer parte do seu próprio povo de que deixou de ser gigante.