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Imagem ilustrativa da imagem O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando

BLOG DO
Blog do Marlon

O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando


				O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando
Os dados que ajudam a explicar quem chegou às quartas.. Marlon Araújo

A Copa do Mundo chegou às quartas de final com uma história escondida nos coletes de GPS.

Enquanto a maioria discute posse de bola, finalizações, escalações e arbitragem, os relatórios físicos da FIFA ( FIFA Training Centre )mostram outra camada do jogo: distância percorrida, corridas em alta intensidade, sprints e velocidade máxima. É a Copa que a televisão mostra pouco, mas que ajuda a explicar muito.


				O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando
A Copa que o GPS revelou até as quartas de final.. Marlon Araújo

E o primeiro recado é direto: correr mais, sozinho, não resolve.

Nas oitavas, o México percorreu 112 km contra 106,7 km da Inglaterra. Perdeu por 3 a 2. Os Estados Unidos correram 119,2 km contra a Bélgica. Perderam por 4 a 1. O Canadá também correu mais que o Marrocos e perdeu por 3 a 0.

O Brasil entrou nessa discussão por outro caminho. Contra a Noruega, correu menos: 113,3 km contra 120,5 km dos noruegueses. A diferença de 7,2 km chama atenção, mas não explica sozinha a eliminação. O ponto é outro: a Noruega conseguiu transformar volume físico em sustentação competitiva até o fim do jogo.


				O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando
Martin Ødegaard - Noruega. (Foto: Getty Images)

Martin Ødegaard percorreu 12,66 km, fez 180 corridas em alta velocidade e ainda teve lucidez para organizar a equipe. Patrick Berg passou dos 12 km e realizou 62 sprints. Não foi apenas uma seleção que correu mais. Foi uma seleção que correu com sentido.

Pelo Brasil, Douglas Santos foi o líder físico, com 11,07 km e 50 sprints. Bruno Guimarães fez 142 corridas em alta velocidade. Vinicius Junior chegou a 33,3 km/h. Ou seja, não faltou dado físico relevante. Faltou transformar esforço em vantagem real.

É aí que o GPS separa corrida útil de corrida vazia.


				O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando
Mbappé o mais rápido 36,5KM/h. (Foto: Getty Images)

A França mostra outro modelo. Mbappé não precisa liderar quilometragem para ser decisivo. Contra o Paraguai, percorreu 8,29 km, fez 23 sprints e atingiu 36,5 km/h. Ele não joga pelo volume. Joga pela explosão. Quando acelera, muda o jogo.

Mas a França não vive apenas da arrancada de Mbappé. Michael Olise percorreu 11,62 km, fez 122 corridas em alta intensidade e 39 sprints. Jules Koundé, lateral, somou 47 sprints. Existe uma estrutura física sustentando o talento.


				O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando
Lamine Yamal é um dos nomes mais promissores do futebol mundial.. (Foto: Getty Images)

Na Espanha, Lamine Yamal entregou outro retrato do extremo moderno: 9,56 km, 88 corridas em alta intensidade, 38 sprints e velocidade máxima de 31,3 km/h contra Portugal. Não é só drible. É repetição. Ataca, perde, pressiona, volta e acelera de novo.


				O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando
Jude Bellingham e Harry Kane - INGLATERRA. (Foto: Getty Images)

Bellingham também aparece como símbolo do meio-campista atual. Contra o México, percorreu 11,14 km, realizou 144 corridas em alta intensidade e 50 sprints. Harry Kane, que muita gente enxerga apenas como finalizador, correu 9,64 km. Não é velocidade pura. É movimento inteligente para conectar o ataque e ocupar espaços.

E Messi?


				O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando
Messi lidera a disputa pela Chuteira de Ouro, prêmio do artilheiro do torneio.. (Foto: Getty Images)

Messi entra nessa história como exceção que confirma a tese. Contra o Egito, percorreu 8,27 km, com 28 sprints e velocidade máxima de 30 km/h. O dado não é sobre correr pouco. É sobre escolher quando correr. A Argentina corre para que Messi possa decidir nos momentos certos.

Até a arbitragem virou parte dessa Copa invisível. Árbitros percorrem entre 12 e 13 km por partida, praticamente a carga física de muitos jogadores de linha. Também são monitorados por GPS, frequência cardíaca e controle de carga. Hoje, não basta saber a regra. É preciso chegar perto do lance quando o jogo acelera.


				O GPS revela a Copa que quase ninguém está analisando
Arbitragem - Raphael Claus (SP), Ramon Abatti Abel (SC) e Wilton Pereira Sampaio (GO),. (Foto: Getty gol Images)

A grande lição até as quartas é clara.

O futebol moderno não está premiando apenas quem corre mais.

Está premiando quem acelera melhor.

Quem repete sprint sem perder lucidez.

Quem sabe descansar sem sair do jogo.

Quem transforma energia em decisão.

Durante anos, o futebol repetiu que era preciso correr muito.

A Copa de 2026 está mostrando algo mais sofisticado: é preciso correr certo.

A televisão mostra a bola.

O GPS começa a explicar por que ela chega até quem decide.