
O 0 a 0 entre CRB e Novorizontino foi muito mais explicado pelo comportamento das equipes do que pelo placar.
Enderson Moreira estudou bem o momento do CRB e montou uma estratégia clara: reduzir o espaço efetivo de jogo.
Linha defensiva alta, forte preenchimento do corredor central e dobra pelos lados para dificultar Dadá e Thiaguinho. O Novorizontino também teve inteligência para não cair na armadilha de perseguir Vitor Caetano e os zagueiros regatianos. Esperava. A pressão começava quando a bola entrava em seu campo defensivo.
Ao recuperar, a resposta era rápida. Rômulo, Maycon Jesus e Reydinei eram os principais caminhos para transformar roubo de bola em transição.
O CRB circulava, procurava espaços, empurrava o adversário para trás, mas passou a primeira etapa sem conseguir transformar esse domínio territorial em finalizações realmente perigosas.
No segundo tempo, o jogo mudou um pouco. Dadá e Thiaguinho começaram a encontrar conclusões e Fábio Matias mexeu.
Foi então que apareceu Estevão.
O estreante acrescentou justamente uma valência que aquela partida pedia: a finalização de média distância. Arriscou duas vezes, obrigou Jordi a trabalhar e esteve nos lances que mais aproximaram o CRB da vitória.
Das mudanças feitas por Fábio Matias, foi quem mais acrescentou ao comportamento ofensivo. Hereda retornou ainda buscando o ritmo ideal, e outro detalhe chama atenção: não havia um centroavante de ofício no banco para uma eventual troca de Mikael. Se fosse necessário mudar a referência, a alternativa seria adaptar Baggio.
É um ponto para observar na sequência da competição.
No fim, prevaleceu o xadrez dos treinadores. Enderson conseguiu retirar boa parte dos espaços que o CRB vinha utilizando nas últimas partidas. Fábio Matias buscou soluções, principalmente no segundo tempo, mas não conseguiu romper definitivamente o bloco adversário.
O empate interrompe a sequência de quatro vitórias, mas mantém outro dado importante do novo momento regatiano: mais um jogo sem sofrer gols.
Nem todo 0 a 0 é falta de futebol.
Alguns são consequência de dois treinadores tentando retirar exatamente aquilo que o adversário faz de melhor.
E este passou muito por aí.