
O Estadual acabou, mas deixou uma pergunta que segue viva: quem avaliou melhor o próprio elenco depois da competição?

No CRB, a conquista do penta inédito criou um ambiente natural de euforia. O discurso passou pela ideia de um elenco excelente e pela possibilidade de ajustes apenas na próxima janela. O título foi enorme, histórico e incontestável. Mas reformular com conquista custa uma visão menos passional e mais fria. É aí que mora o perigo.
Reverson e Arthur Caíke foram oferecidos anteriormente, e a resposta foi não. Depois, com a lesão de Léo Campos e Maycon ainda sem corresponder plenamente, Reverson acabou chegando. Arthur Caíke, por sua vez, foi para o Botafogo-SP. Isso não significa que toda oferta precisa virar contratação. Pelo contrário. Mas mostra como, no futebol, o tempo entre diagnóstico e decisão pode mudar completamente o mercado.
Também não demorou muito para o cenário virar. O time que vinha de nove jogos sem perder entrou numa maratona de partidas e virou a chave para dez jogos sem ganhar. Assim funciona o futebol. A mesma sequência que ontem fortalecia convicções, hoje expõe limitações. O título não perde valor, mas ajuda a entender que a conquista, sozinha, não podia esconder tudo.
No CSA, a eliminação abriu outro problema: a demora na decisão. A permanência de Itamar Schülle dividiu opiniões internas. Ricardo Omena e Diego Omena defendiam a continuidade. Rodas, Bonatelli e outros nomes entendiam que o ciclo precisava ser encerrado. A novela se arrastou, passou por vários capítulos, até chegar à demissão.

Depois veio uma salada de perfis: Gilson Kleina, Dico Wooley, Fahel Júnior, Gabriel Teixeira, do Murici, até que os Omenas bateram o martelo em Moacir Júnior, nome que nem aparecia inicialmente na lista. O treinador chegou e mudou o perfil do CSA em campo praticamente com as mesmas peças. Vieram os laterais Caio Hila e Ailton, o volante Camacho retornou, Mateus Sacramento chegou, e o time passou a apresentar outra energia, mais intensidade e uma sequência positiva.
Mas a derrota para o ASA recolocou o tema na mesa. O CSA evoluiu, porém segue lento nas avaliações e nas ações para qualificar o elenco. O diagnóstico apontava a necessidade de um goleiro, um zagueiro, um volante, um meia e um camisa 9. Já se vai a quarta rodada, e as opções não chegam na velocidade necessária. Pelo contrário: até aqui, as novidades têm sido mais de saídas do que de chegadas.
Mateus Sacramento, visivelmente fora do ritmo ideal, já caiu na antipatia de parte do torcedor. É cedo para cravar qualquer sentença, mas a Série D não costuma ter paciência com adaptação longa. Quando o campeonato é curto e o acesso exige precisão, cada semana perdida pesa como mês.

O ASA fez o caminho oposto. Foi vice mais uma vez, mas antes mesmo de perder o Estadual já havia iniciado a reformulação. Itamar chegou ainda para a final contra o CRB. Depois, o clube passou de 11 reforços, alguns ainda sem estrear. O resultado começa a aparecer: o ASA está perto da classificação no Nordestão e já assumiu a vice-liderança na Série D. É uma direção que demonstra saber o caminho que pretende seguir.

O CSE também se mexeu. Reformulou, respondeu em campo e entrou na zona de classificação. Além de Thiago Montanha, que chegou assumindo titularidade e elevando o nível competitivo do ataque, o clube trouxe o lateral Samuel, conhecido como Mel, que estava no Cruzeiro; o zagueiro Geovani; e Dequinha, ex-Itabaiana, também zagueiro, que já marcou gol em clássico contra o ASA.
No fim, a lição é simples: quem quer brigar por acesso precisa ser rápido no diagnóstico e assertivo na reposição. Essa talvez seja a tarefa mais complexa do futebol. Não basta olhar para o placar, para o título, para a festa ou para a frustração. É preciso enxergar o que o elenco tem, o que falta e o que a próxima competição vai cobrar.
Porque, no futebol, o título pode emocionar. Mas só a leitura correta sustenta a temporada.