
Há datas que não passam. Esperam a história voltar.
Em 16 de agosto de 2009, no Acre, o ASA empatou por 2 a 2 com o Rio Branco, mesmo terminando a partida com dois jogadores a menos, e conquistou o acesso à Série B.
Exatamente 17 anos depois, em 16 de agosto de 2026, o futebol devolveu ao torcedor alvinegro outra tarde inesquecível.
O Goiatuba abriu o placar em Arapiraca. Alex Bruno, principal jogador da temporada, marcou o gol que levou a decisão aos pênaltis. Rafael Mariano defendeu uma cobrança, os cinco batedores do ASA converteram e Motta, com a coragem de uma cavadinha, colocou o clube novamente na Série C.
Mas seria pouco explicar esse acesso apenas pelo roteiro emocionante.

Em 2025, essa mesma diretoria sentiu o peso de perder o acesso dentro de casa. Poderia desmontar tudo e começar novamente. Preferiu aprender com o insucesso, corrigir decisões e manter o projeto vivo. Continuidade não significa repetir erros; significa não abandonar o objetivo diante da primeira frustração.
A assertividade também apareceu na janela de contratações. Ferreira deu mais equilíbrio e consistência ao meio-campo. Vinícius Alves acrescentou velocidade, profundidade e força pelos lados. Michel Douglas, contratado após se destacar pelo CSE, ampliou as alternativas ofensivas e também foi decisivo na reta final.
Não foram contratações feitas apenas para completar o elenco. Chegaram para corrigir necessidades identificadas durante a competição e elevar o nível da equipe justamente quando a margem para errar havia desaparecido.
Itamar Schülle chegou durante a temporada, assumiu o sonho do clube e enfrentou até uma trombose durante a Série D. Precisou se afastar, acompanhou uma partida decisiva de casa, retornou e conduziu uma equipe que não perdeu nenhum confronto nos mata-matas.

Alex Bruno foi assediado por clubes das principais divisões, mas permaneceu até a missão ser cumprida. Fez 24 gols no ano e somente deixou o ASA depois do acesso. Seu último gol com a camisa alvinegra foi justamente aquele que manteve o time vivo na decisão.
A coincidência enfeita a história. O planejamento, a capacidade de corrigir a rota e o compromisso explicam o resultado.
