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Atletas Comemorando gol de Dadá Belmonte.

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O CRB que Tencati enxergou


				O CRB que Tencati enxergou
Atletas Comemorando gol de Dadá Belmonte.. (Foto: Divulgação/CRB)

O CRB entrou em campo pressionado. Em parte da rodada, chegou a ocupar a zona de rebaixamento até o Londrina sofrer o empate diante do Cuiabá. Do outro lado estava um Botafogo-SP que parecia iniciar uma reação, após encerrar uma sequência de dez partidas sem vencer justamente diante do Ceará, fora de casa.

A resposta do time de Eduardo Barroca foi imediata.

Na primeira finalização da partida, o CRB mostrou por que tem o melhor ataque da Série B. A jogada foi de manual. O time direcionou o bloco para um lado, Thiaguinho encontrou uma inversão perfeita de aproximadamente 40 metros, Lucas Lovat percebeu a vantagem e, de primeira, colocou Dadá Belmonte entre os zagueiros para apenas completar. Construção coletiva, leitura de jogo e eficiência.

O restante da primeira etapa evidenciou uma tendência cada vez mais presente no futebol moderno, a "handebolização" do jogo. As equipes atacam, perdem a posse e imediatamente recompõem em bloco baixo, fechando o corredor central e praticamente oferecendo apenas os cruzamentos e as bolas paradas como caminho até o gol.

Mesmo assim, o Botafogo-SP conseguiu criar. Patrick Brey obrigou Victor Caetano a fazer duas boas defesas e, na melhor oportunidade paulista, Erickson apareceu dentro da área. Dadá Belmonte fez uma recomposição decisiva, baixou para formar praticamente uma linha de cinco defensores e bloqueou a finalização.

O intervalo trouxe um cenário conhecido para o torcedor regatiano. Era a hora de defender uma vantagem, justamente o momento em que o CRB mais sofreu nesta Série B.

Barroca manteve a equipe. Cláudio Tencati fez exatamente o contrário. Desmontou a linha com três zagueiros, retirou um volante e colocou Kelvin para aumentar a capacidade ofensiva. O Botafogo-SP passou a controlar as ações, empurrou o CRB para um bloco muito baixo e praticamente jogou o segundo tempo no campo ofensivo.

O Galo ainda respondeu logo no início, quando Thiaguinho finalizou por cima do gol. Depois disso, porém, a equipe já não conseguia reter a posse. Mikael brigava praticamente sozinho contra a defesa adversária, enquanto a bola insistia em voltar.

Outra vez ficou evidente um problema que acompanha o CRB na competição. As substituições ainda não conseguem manter o nível de desempenho apresentado pelos titulares.

Mas houve uma diferença importante.

Victor Caetano viveu sua melhor atuação com a camisa regatiana. Seguro nas bolas aéreas, preciso nas intervenções e decisivo quando foi exigido, o goleiro fechou o gol e foi protagonista de um feito que há muito tempo não acontecia, o CRB voltou a terminar uma partida sem sofrer gols.

Na entrevista coletiva, Cláudio Tencati talvez tenha feito a definição mais precisa do adversário que enfrentou. Questionado sobre iniciar uma partida em casa com três zagueiros, respondeu com dados.


				O CRB que Tencati enxergou
Tencati elogiou Botafogo e CRB.. (Foto: Divulgação/BotafogoSP)

"O melhor ataque da competição, a equipe que mais finaliza e o artilheiro da Série B."

Na sequência, fez uma observação que merece reflexão.

"É uma equipe perigosíssima. Está nessa posição porque a Série B é uma competição traiçoeira."

Quando um treinador modifica seu sistema de jogo depois de uma semana inteira estudando o adversário, sua análise costuma revelar muito mais do que a classificação. O CRB continua produzindo como uma das melhores equipes ofensivas da Série B. Se a atuação defensiva desta noite representar o início de uma nova consistência, a tendência é que a tabela finalmente passe a refletir aquilo que os adversários já enxergam há algum tempo.