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Imagem ilustrativa da imagem Mozart e Barroca explicam o CRB visitante

BLOG DO
Blog do Marlon

Mozart e Barroca explicam o CRB visitante


				Mozart e Barroca explicam o CRB visitante
Mozart e Barroca desmontam o debate raso sobre o CRB visitante. Marlon Araújo

O debate levantado no Bola Quente sobre o CRB como visitante seguiu um roteiro conhecido. Fora de casa, o time precisaria mudar o modelo, jogar feio, jogar por uma bola para competir melhor. Esse foi o ponto central da discussão. Diante disso, achei correto ouvir quem vive o jogo em alto nível e acabou de ser campeão da Série B.

Fui ouvir Mozart Santos, profissional que já passou pelo CSA e por quem tenho respeito quando o assunto é futebol. No programa, Mozart foi citado como exemplo de treinador que mudaria o modelo de jogo entre casa e fora. A resposta dele desmonta o rótulo com naturalidade. Segundo Mozart, o modelo não muda, porque modelo são ideias predominantes. O que muda, e muda sempre, é a estrutura de marcação, e isso acontece inclusive em jogos em casa, quando o adversário se sobrepõe e te obriga a ajustar a organização defensiva.

E aí veio o ponto mais revelador, agora com aspas.

“O CRB como visitante deu bastante problema”, disse Mozart, explicando que precisou mudar a estrutura de marcação várias vezes ao longo do confronto. Não é elogio protocolar. É diagnóstico técnico. E não por acaso, o time de Mozart terminou a competição como a melhor defesa da Série B, o que dá ainda mais peso à análise.

Para deixar didático, Mozart detalhou o que chama de estrutura de marcação. Altura dos blocos, gatilhos de pressão e variação estrutural conforme o jogo pede. Duas linhas de quatro, linha de cinco com ponta recompondo, 4-5-1, 5-3-2 , 4-4-2 ou até um 6-3-1. Funcionalidade pura. Nada de estética.


				Mozart e Barroca explicam o CRB visitante
Barroca, o CRB visitante vira debate tático. Foto:@Ailton Cruz. Ailton Cruz

Levei exatamente essa leitura a Eduardo Barroca. A resposta fechou o raciocínio. Barroca concordou integralmente. O CRB também alternava estruturas, 6-3-1, 4-2-3-1, 4-4-2, principalmente quando estava em vantagem. E lembrou que as vitórias fora contra Athletic, Volta Redonda e Goiás tiveram histórias diferentes. Contra Volta Redonda, Atlético Goianiense e América Mineiro, Galo saiu na frente cedo e se fechou para sustentar. Em um jogo venceu, no outro perdeu e no outro empatou. Mesmo comportamento, finais distintos. Futebol em estado puro.

O exemplo mais didático dessa discussão está nos jogos contra o Coritiba. No Rei Pelé, vitória por 1x0 do time de Mozart. No Couto Pereira, 0x0. Em ambos, o CRB foi melhor em organização, finalizações , volume e controle. Talvez por isso Mozart tenha sido tão claro ao dizer que o CRB causou problemas. Jogar bem não bastou. Faltou sustentar o jogo até o último detalhe.

Essa fala recoloca o debate no lugar certo. Não é sobre jogar feio ou jogar bonito fora de casa. Não é sobre abdicar do modelo. É sobre leitura, ajuste e competência. Muitas vezes o jogo fora parece mais defensivo não por escolha estética, mas pela capacidade do adversário. Como o próprio Mozart explicou, “jogar por uma bola é subjetivo”, e defender bem é fundamental para ser campeão, principalmente fora.


				Mozart e Barroca explicam o CRB visitante
Mozart + Barroca, o CRB fora de casa além do placar. Marlon Araújo

Registro aqui meu agradecimento a Mozart Santos e Eduardo Barroca pela disponibilidade e generosidade em dedicar minutos de um domingo para uma conversa qualificada sobre futebol. Em tempos de análise rasa, ouvir quem pensa o jogo com método e responsabilidade eleva o nível do debate.

Minha opinião é clara.

O caminho de como atuar fora de casa estava posto. Defender bem e sustentar. Não foi o modelo que falhou. Foi a execução eficiente. Série B decide assim. Quem olha só o placar erra o diagnóstico. Quem olha o jogo, entende.