
Antes de a bola rolar, o estádio ficou pequeno para a dor.
CSA e CRB, atletas e dirigentes juntos, faixa preta no uniforme, faixa preta na mão, silêncio que não foi protocolo, foi respeito. Ali a rivalidade ficou no lugar certo, no campo. O recado foi humano e direto para a família do Joba, coordenador da base do CRB: "Vocês não estão sozinhos".
Esse tipo de imagem mexe porque mostra o futebol no seu melhor. Dois clubes que vivem se enfrentando, parando para reconhecer que a vida não tem escudo. E mais, mostra que dá para existir clássico com limite, sem ódio, sem caça, sem covardia. Só que o contraste dói. Porque, do lado de fora, integrantes de torcidas ainda se digladiam nas ruas, como se camisa fosse passe livre para provocar, perseguir e agredir. Isso não é paixão. Isso é descontrole. Isso é vergonha.
A morte do Joba deixou um vazio que não se preenche com faixa, nem com homenagem. Mas precisa ser dito, com justiça feita, houve resposta. E foi rápida. Em tempo recorde. A segurança pública entregou o que a sociedade cobra em casos como esse: apuração, identificação, responsabilização. Ninguém devolve o Joba, mas a resposta firme impede que o crime vire rotina e que a impunidade vire estímulo.

Mesmo assim, luto não tem apito final. A saudade não termina no intervalo. A base perdeu um coordenador, meninos perderam uma referência, projetos perderam um guia. Quem convive com bastidor sabe: esse tipo de profissional não é só cargo, é presença, é cobrança, é cuidado, é exemplo.
O clássico de Alagoas é patrimônio. Patrimônio se protege. O campo deu aula de solidariedade e civilidade. A rua, quando vira palco de violência, destrói o futebol por dentro, afasta família, espanta patrocínio, envergonha a cidade. O que foi bonito lá dentro precisa virar regra, o que foi feio lá fora precisa acabar.