
Depois de uma temporada marcada por altos e baixos, Higo Magalhães resolveu quebrar o silêncio.
Pela primeira vez após sua saída do CSA, o treinador abriu o jogo em entrevista exclusiva ao Blog do Marlon Araújo. Direto, sem rodeios, Higo falou sobre os bastidores, as críticas, a perda de intensidade da equipe, os atritos de comando e, claro, deixou uma mensagem ao torcedor azulino. Uma conversa que ajuda a entender não só a queda de rendimento em campo, mas também os fatores internos que influenciaram o fim turbulento da temporada.
Entrevista com Higo Magalhães
1. Você chegou ano passado, fez uma campanha de recuperação e por pouco não classificou. Depois, veio a sequência e o CSA de Higo Magalhães chamou a atenção de todos, um time que jogava numa rotação altíssima e cumpriu a missão do “cofre cheio”. Mas não sai da minha cabeça o nó tático no clássico contra o CRB. Enfim, a que você atribui a queda vertiginosa?
– Bom, primeiro pensei bastante se deveria falar, mas se tratando de você, Marlon, resolvi responder, até como forma de agradecer pela forma que conduz seu trabalho. Rapaz, eu penso que foram vários fatores que foram acontecendo internamente e externamente, e aos poucos aquele brilho do ambiente foi se perdendo. Mas te confesso, no meu tempo de futebol nunca vi nada parecido.
2. No jogo contra o Retrô, o dirigente Luciano Lessa, na entrevista pós-jogo, já falava em mudanças, como se fosse um recado ao comando técnico e aos atletas. Você, na época, respondeu que era preciso ter sabedoria e que não estava tudo errado. Hoje faria diferente? Teria feito as dispensas e mudanças naquele momento?
– O Luciano, naquele episódio, teve uma fala no calor do término do jogo, que poderia ser tratada internamente. Fui perguntado na coletiva e até surpreso de onde saiu a fala, então minha resposta foi em trazer equilíbrio e confiança para dentro, porque já havia a instabilidade da não vitória. Não podia deixar escapar a confiança internamente.

3. Os reforços da janela chegaram, mas não conseguiram ser aproveitados, e isso acabou desgastando sua imagem, sendo apontado até como motivo para sua saída. A fala era que você criou um vínculo muito forte com o grupo inicial e, por isso, não colocava os novos. O que você responde a essa crítica? Existiu isso ou foi apenas feedback dos treinos?
– Isso foi o que mais ouvi quando saí do CSA. Vamos lá… pós minha saída, o time que estava em campo era o mesmo. De forma clara, já responde sobre as falas de vínculo e por que não colocar os recém-chegados. O Naninho, por exemplo, chegou, se adaptou e jogou.
Internamente todos sabiam que tínhamos uma diretriz: nenhum treinador abdica de qualidade para potencializar o trabalho.
4. No seu retorno, para buscar o chamado “fato novo 2”, você sentiu que a missão estava mais difícil depois de ter ficado 15 dias afastado?
– Olha, quando o telefone tocou, o coração já dizia “vá”. Eu poderia muito bem ter dito não, porque na minha saída foi dito: “Higo, você é um grande profissional, mas já tirei atletas e a coisa não anda, preciso mudar o comando técnico”. Então não foi uma reunião de avaliação, eu já estava fora. Como sempre faço, agradeci e fui embora.
Acompanhei tudo de fora e, sabe aquela sensação que você, como militar, conhece bem? Terminar a missão. Eu aceitei, mesmo sabendo que teríamos Ponte Preta e Ituano, porque sabia da força do grupo no Rei Pelé e ainda tínhamos Copa do Nordeste em casa, poderíamos fazer história.
Quando voltei, te falo: algo estava diferente no brilho, na alma do grupo. Era outro ambiente, só quem estava dentro sabe explicar. Se tiver que resumir numa palavra: vaidade. Foi aparecendo muita coisa externamente que minava a força interna. E todos se mobilizaram para tentar resgatar o brilho de antes. Só que já havia uma nuvem de dúvida em todos.
5. Por fim, o que você gostaria de falar para seus fiéis seguidores e fãs azulinos?
– Primeiro, peço desculpa pela forma como terminamos a temporada. Nunca imaginávamos encerrar dessa forma. O sentimento de tristeza do torcedor azulino também é o meu.
Fica aqui o meu registro de gratidão e respeito por tudo que é o CSA e a torcida azulina. Tenho certeza de que o clube vai voltar mais forte, porque tem o que poucos têm: uma torcida que encanta, empurra e mostra realmente o que é ser CSA.