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Imagem ilustrativa da imagem Falar para milhões não é o mesmo que informar

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Blog do Marlon

Falar para milhões não é o mesmo que informar


				Falar para milhões não é o mesmo que informar
O problema não é quem aparece na tela, mas se o público ainda consegue distinguir entretenimento de informação.. Marlon Araújo

A presença de influenciadores em grandes coberturas esportivas virou uma discussão barulhenta. Como quase tudo hoje, muita gente correu para escolher um lado antes de entender o jogo.

O ponto não é demonizar influenciador. Também não é transformar jornalista em espécie ameaçada, como se a profissão estivesse pedindo socorro na beira do campo. A questão é mais simples:comunicar não é a mesma coisa que informar.

Uma emissora que chama uma influenciadora para uma cobertura de Copa faz uma escolha de audiência. Busca alcance, linguagem popular, conexão e entretenimento. Isso não começou agora. O futebol sempre conviveu com humoristas, artistas, ex-jogadores, personagens e comunicadores de vários perfis. A diferença é que as redes aceleraram tudo. Hoje, alguém pode construir uma multidão sem nunca ter pisado numa redação.

Nada contra. O problema começa quando o público já não sabe separar quem está entretendo de quem está apurando.

Influenciador entrega presença. Jornalista precisa entregar método. Parece pouco, mas é tudo. Método é checar antes de publicar, ouvir mais de um lado, desconfiar da primeira versão, contextualizar o fato e resistir à tentação de transformar qualquer ruído em manchete.

No futebol, isso fica ainda mais claro. Uma coisa é reagir ao lance. Outra é explicar por que o lance aconteceu. Uma coisa é viralizar uma opinião. Outra é sustentar uma análise depois que a emoção baixa. A internet adora o grito. O jornalismo precisa gostar da pergunta.

A disputa entre influenciadores e jornalistas nunca existiu de verdade. São funções diferentes. O influenciador conversa com sua comunidade. O jornalista deve servir ao público, inclusive quando a informação contraria a torcida, o clube, o dirigente, o jogador ou o próprio algoritmo.

O risco real não é uma influenciadora na Copa. O risco é a sociedade achar que alcance substitui credibilidade. Não substitui.

Seguidores mostram quem consegue chamar atenção. Apuração mostra quem merece confiança.

Essa é a fronteira que precisa ficar clara. Porque, no fim, a pergunta não é quem vai aparecer mais na tela. A pergunta é quem ajuda o público a entender melhor o que está vendo.