
A presença de influenciadores em grandes coberturas esportivas virou uma discussão barulhenta. Como quase tudo hoje, muita gente correu para escolher um lado antes de entender o jogo.
O ponto não é demonizar influenciador. Também não é transformar jornalista em espécie ameaçada, como se a profissão estivesse pedindo socorro na beira do campo. A questão é mais simples:comunicar não é a mesma coisa que informar.
Uma emissora que chama uma influenciadora para uma cobertura de Copa faz uma escolha de audiência. Busca alcance, linguagem popular, conexão e entretenimento. Isso não começou agora. O futebol sempre conviveu com humoristas, artistas, ex-jogadores, personagens e comunicadores de vários perfis. A diferença é que as redes aceleraram tudo. Hoje, alguém pode construir uma multidão sem nunca ter pisado numa redação.
Nada contra. O problema começa quando o público já não sabe separar quem está entretendo de quem está apurando.
Influenciador entrega presença. Jornalista precisa entregar método. Parece pouco, mas é tudo. Método é checar antes de publicar, ouvir mais de um lado, desconfiar da primeira versão, contextualizar o fato e resistir à tentação de transformar qualquer ruído em manchete.
No futebol, isso fica ainda mais claro. Uma coisa é reagir ao lance. Outra é explicar por que o lance aconteceu. Uma coisa é viralizar uma opinião. Outra é sustentar uma análise depois que a emoção baixa. A internet adora o grito. O jornalismo precisa gostar da pergunta.
A disputa entre influenciadores e jornalistas nunca existiu de verdade. São funções diferentes. O influenciador conversa com sua comunidade. O jornalista deve servir ao público, inclusive quando a informação contraria a torcida, o clube, o dirigente, o jogador ou o próprio algoritmo.
O risco real não é uma influenciadora na Copa. O risco é a sociedade achar que alcance substitui credibilidade. Não substitui.
Seguidores mostram quem consegue chamar atenção. Apuração mostra quem merece confiança.