
O CSA começou como se tivesse lido cada linha do roteiro tático do adversário. Entrou sabendo onde estavam os espaços, como chegar e o que explorar: a última linha alta do Ferroviário. E foi justamente ali, nas bolas de profundidade e ataques ao espaço, que o Azulão construiu sua vantagem. Mas a vantagem virou drama. De novo, por erros próprios.
Foram 19 finalizações e 8 no alvo. E só 2 gols. O CSA teve dois pênaltis — um convertido por Enzo, outro perdido por Igor Bahia —, dominou os duelos individuais, empilhou chances... mas não matou o jogo. Com isso, abriu a porta para um sofrimento que não precisava ter existido.
O time de Higo Magalhães deixou clara sua ideia: esticar bolas às costas da linha de cinco do Ferroviário, que subia pressão quando a bola era passada para recuada para os zagueiros . Quando a última linha ficava alta — seja em organização defensiva, seja nas transições , o CSA encontrava campo para acelerar. Baianinho, imparável no 1x1, foi o motor da amplitude. Naninho, com lucidez, acelerava por dentro. E Tiago Marques, em fase iluminada, aproveitou a sobra para marcar o segundo.

O jogo poderia ter virado goleada. Mas o CSA baixou o ritmo, perdeu Tiago por lesão e passou a dar campo. É aí que se nota um padrão preocupante: a última linha azulina sofre quando sobe em bloco médio, sem pressão coordenada na bola. Foi assim que o Ferroviário ganhou campo, chegou ao escanteio no fim do 1º tempo e diminuiu com Wesley Junior, de cabeça.
Na volta do intervalo, o CSA seguiu desperdiçando — inclusive um pênalti mal batido por Igor Bahia. E o que era controle virou tensão. O técnico Tiago Zorro arriscou: desfez a linha de 5, empurrou o time para o 4-2-4, colocou dois atacantes de área e tentou encurralar o CSA nos minutos finais.
Faltou mais qualidade ao Ferroviário. Faltou mais eficácia ao CSA.
Mesmo com menos posse (46%), o CSA foi mais agressivo, direto e perigoso. Mas segue pecando no que separa grandes atuações de vitórias tranquilas: a capacidade de matar o jogo.

Porque, como ensina a cartilha do futebol, quem não define quando domina, flerta com o imponderável.
📌 Destaques da noite:
Gustavo Nicolla dominou o meio com imposição. Baianinho desequilibrou nos duelos. Naninho deu o ritmo. E o CSA, mesmo com erros, voltou à semifinal do Nordestão — algo que não acontecia há 15 anos.
Nem todo susto termina em festa. Às vezes, termina em eliminação. E aí, não adianta lamentar o que já deveria ter sido resolvido.