
O CSA não apenas venceu o CSE em Palmeira dos Índios. Venceu com autoridade, quebrou um tabu incômodo e saiu do Juca Sampaio com cara de time que começa a entender o peso da própria campanha na Série D.
Sem Fabrício Bigode, Moacir Júnior não inventou. Colocou Lucas Lima como centroavante de ofício e manteve Matheus Melo, Dudu Figueiredo e Rian Santana por trás. Mudou a peça, mas preservou a ideia. O CSA seguiu com a mesma formatação, intensidade e agressividade no terço final.
Do outro lado, Erivaldo Pedra alterou o padrão usado em casa. Saiu da estrutura com dois volantes, um meia e três homens na frente, para montar um corredor central com três volantes. Sem Reninha, optou por Tarcísio e deixou Thiago Magno, um dos melhores atacantes do CSE, para o segundo tempo.
O jogo começou movimentado, mas aos poucos o CSA foi impondo sua principal marca: pressão alta. O time azulino passou a roubar bolas na primeira fase de construção do CSE e empilhou faltas na entrada da área. Lucas Lima incomodava demais. Dequinha foi amarelado, depois voltou a perder o duelo para o centroavante e acabou expulso.

Antes disso, Rian Santana já havia pedido a bola para uma cobrança de falta. Bateu no ângulo, Jeferson espalmou, a bola tocou no travessão e Ailton Santos apareceu livre para abrir o placar. O primeiro tempo terminou com vantagem mínima no placar, mas enorme no cenário do jogo: o CSE estava atrás, com um jogador a menos e obrigado a correr dobrado.
Na volta, Rian Santana confirmou a confiança de Moacir Júnior. Antes da partida, o treinador havia dito ao atacante que acreditava no seu reencontro com o gol. Ele respondeu em campo. Ganhou o duelo com Jean Kléber, usou a individualidade, passou por dois marcadores e marcou o segundo.
O CSE ainda diminuiu numa bola parada lateral, ponto que o CSA precisa ajustar. Celestino subiu e testou para fazer 2 a 1. Depois veio a paralisação pela falta de ambulância, um capítulo ruim para o jogo e para a imagem da competição.
Moacir aproveitou a parada para reorganizar o time e preparar as trocas. Lucas Silva entrou no lugar de Matheus Melo. Logo depois, em cobrança de escanteio, Rian apareceu de cabeça para fazer 3 a 1 e matar qualquer dúvida sobre quem mandava na partida.
As entradas de Mateus Souza, Gustavo, Vitinho e Marcos Ytalo deram ainda mais mobilidade ao terço final. O CSA transformou controle em goleada. Lucas Silva marcou o quarto, e o garoto Gustavo fechou a conta com personalidade, drible e gol.
O 5 a 1 tem peso de tabela, claro. O CSA chegou a 16 pontos, disparou na liderança do Grupo A10 e abriu três de vantagem para o ASA. Mas tem também peso histórico. A última vitória azulina contra um clube alagoano em competição nacional havia sido em 2017, 3 a 0 sobre o ASA. Depois de nove anos, o tabu caiu.
Moacir Júnior tem um time competitivo, intenso e com repertório. Ainda há reforços para estrear e outros para chegar. O recado está dado.