
O CSA caiu no estadual e não chegou à final. Dói, claro. Mas o debate honesto começa lembrando de onde o clube saiu.
No fim de 2025 veio o rebaixamento. Depois, a instabilidade administrativa que virou símbolo e ganhou nome, “O Enigma das Atas”. Incerteza total. No mercado, a conversa era sempre a mesma, quem vai assinar com o CSA se ninguém sabe com clareza o que vem pela frente. Foi nesse cenário que Carlos Bonattelli montou um elenco do zero, com orçamento mínimo e uma desconfiança gigante do mercado da bola. Isso não é desculpa, é contexto.
A solução administrativa só se estabilizou em dezembro, com a chegada de Robson Rodas. A gestão Rodas tem menos de dois meses. Não existe milagre. Existe processo.
Aí o time não chega à final e começa o que o CSA tem de pior, os revolucionários das redes sociais, que vendem terra arrasada como se fosse lucidez. Não é. Terra arrasada é preguiça de pensar.
Rodas, até aqui, respondeu do jeito certo, com trabalho. Aproveitou o trânsito institucional do vice-presidente Cristiano Mendonça e buscou apoio junto ao Governador Paulo Dantas para viabilizar patrocínios ao clube. É o tipo de movimento que dá estabilidade, não manchete vazia.
Agora o foco é Joinville. Hoje vale muito a classificação. E vale mais ainda o que ela traz, tranquilidade para ajustar elenco, corrigir rota e seguir na meta da temporada, o acesso à Série C.
Só que existe um capítulo que não pode ser empurrado para baixo do tapete.
Recebi a informação de que, na sexta-feira, houve reunião no CT com membros de torcida organizada cobrando atletas e comissão. Não foi alinhado pelo departamento de futebol. Quem estava no futebol foi avisado na hora, mas antes ainda tiveram tempo de minimizar o tom da conversa com os torcedores.
No dia do jogo, o absurdo aumentou. Membros da torcida organizada, uniformizados, dentro do vestiário, no momento em que o time fecha portas, ajusta detalhes, faz a última fala, ora, concentra, respira antes de subir o túnel.

Vestiário não é palco. Vestiário é privacidade. É intimidade profissional. É o lugar onde se resolve o que não pode vazar, onde se protege o emocional, onde a liderança se impõe sem plateia. Tem gente que tem fetiche por vestiário, acha que ali é troféu de acesso. Não é. Ali é sagrado para quem trabalha.
Procurei o presidente Robson Rodas. Ele disse que tomou conhecimento e determinou a retirada imediata.
O recado que fica é simples e direto. O CSA não pode misturar as competências. Torcida organizada não pode ser parte do ambiente interno do futebol. A pressão de arquibancada fica na arquibancada. O clube precisa de comando, de hierarquia, de limites claros.
Erro acontece. O que não pode é permanecer no erro.
E aqui entra o ponto principal, definitivamente. Não existe “gestão de organizada”. Quem é da Direção precisa decidir o que quer ser. Ou é organizada, ou é gestor do clube. Não dá para sentar em duas cadeiras, tentando agradar os dois lados, porque no fim quem paga a conta é o clube.