
O confronto começou a mudar ainda nas escalações.
Na partida de ida, o Betim surpreendeu ao demitir Leandro Zago no hotel, poucas horas antes de enfrentar o CSA. Aloísio Júnior assumiu, desfez a habitual linha de cinco defensores e venceu por 1 a 0. Mantido no cargo para o duelo em Maceió, escolheu outro caminho: retirou o centroavante PH, colocou Alan Santos como terceiro zagueiro e voltou à linha de cinco para proteger a vantagem e explorar os espaços em transição.
Moacir Júnior respondeu com uma escalação mais ofensiva. Sacou Fabrício Bigode, colocou Ronaldo Mendes e aumentou a presença do CSA entre as linhas adversárias. Félix Jorge substituiu o lesionado Amorim na defesa.

O combustível vinha das arquibancadas. Desde o primeiro minuto, o CSA controlou o jogo, manteve uma rotação alta e empilhou oportunidades. Dudu Figueiredo encontrava espaços por dentro e participou diretamente do primeiro gol, marcado justamente pela novidade da escalação, Ronaldo Mendes.
O Betim sentiu. O CSA não diminuiu o ritmo.
Aos 30 minutos, uma jogada de manual. Yago repôs rapidamente, Ailton Santos avançou em diagonal e, em poucos toques, a bola chegou até Rian Santana. Em apenas 14 segundos, o CSA atravessou o campo e marcou o gol que explodiu o Rei Pelé.
Três minutos depois, Pedro Botelho, que já tinha cartão amarelo, precisou interromper o avanço de Matheus Melo e foi expulso. O CSA, que já era superior no jogo, passou a ter também a vantagem numérica.
No intervalo, Aloísio Júnior desfez a linha de cinco, recolocou PH e passou a utilizar Arilson como volante com a bola e zagueiro sem ela. Moacir manteve a estrutura e continuou atacando.
O terceiro gol demorou porque o CSA desperdiçou oportunidades. A tensão crescia nas arquibancadas até o treinador voltar a interferir diretamente. Everton Heleno e Lucas Silva entraram. Rian acelerou a transição, Everton encontrou o passe e Lucas atacou o espaço para fazer 3 a 0.
Foi o gol do alívio. Foi também o gol das escolhas de Moacir.
Ainda havia espaço para mais. Kayllan encontrou Lucas Silva, que marcou novamente e decretou a goleada por 4 a 0, fechando o confronto em 4 a 1 no agregado. O CSA avançou para enfrentar o São Luiz-RS, com o primeiro jogo no Rio Grande do Sul e a volta em Maceió.

Moacir Júnior merece destaque não apenas pelo placar. Leu o que a decisão exigia, aumentou a capacidade ofensiva da equipe, manteve a intensidade e viu as substituições participarem diretamente da construção do resultado. Treinador não é aquele que nunca erra. É aquele que percebe, corrige e interfere antes que o tempo acabe.
A outra protagonista foi a torcida. O Rei Pelé não assistiu ao jogo. Jogou junto. Empurrou, pressionou e transformou a noite em um ambiente perfeito para a reação.
A goleada não colocou o CSA como melhor ataque da competição, mas levou o time aos 32 gols, atrás apenas do Gazin Porto Velho, que marcou 37. Rian Santana, autor do segundo gol, lidera a artilharia da Série D, com 11.
