
Os números parecem contar uma história. O placar contou outra.
O CRB finalizou 32 vezes, contra dez do São Bernardo. Teve 77 entradas no terço final, 37 ações com a bola dentro da área adversária e oito escanteios. O time paulista precisou de muito menos para vencer por 3 a 2.
Essa diferença ajuda a explicar o jogo.

O CRB teve volume, presença ofensiva e capacidade de reação. Saiu atrás duas vezes e buscou o empate nas duas. Depois do gol de Mikael, empurrou o São Bernardo para trás, criou chances e se aproximou da virada. Alex Alves fez cinco defesas e foi decisivo no momento de maior pressão regatiana.
Foi justamente aí que o líder mostrou por que tem o melhor ataque da Série B.
O São Bernardo não precisou controlar o jogo por longos períodos. Bastou reconhecer os espaços, acelerar e concluir com qualidade. Em dez finalizações, acertou cinco no alvo e marcou três vezes. Um time preparado para transformar pouca posse ofensiva em muito perigo.

A campanha fora de casa não deixa dúvida: seis jogos, cinco vitórias e um empate. Não é acaso. É modelo.
Ricardo Catalá está na terceira temporada no clube. As trocas feitas no Rei Pelé mantiveram a proposta e, em alguns momentos, deixaram o São Bernardo ainda mais forte. Entraram jogadores diferentes, mas o comportamento coletivo permaneceu. Isso diz muito sobre continuidade de trabalho.

Romisson também simboliza esse processo. Alagoano de Penedo, está na sexta temporada pelo Bernô e teve a família nas arquibancadas como uma pequena torcida paulista em pleno Rei Pelé.
No CRB, faltou mais força nos duelos pelos lados. Os extremos não conseguiram superar os laterais adversários com frequência, e a escolha por Wallace não trouxe o impacto esperado. O garoto não repetiu as boas atuações anteriores, algo possível para quem ainda está em formação.
A derrota foi dura porque o CRB competiu, reagiu e produziu. Mas o São Bernardo foi mais preciso nos momentos que decidiram a partida.