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Blog do Marlon

A fala de Barroca que incomodou a torcida e blindou o elenco


				A fala de Barroca que incomodou a torcida e blindou o elenco
Eduardo Barroca. (Foto: Divulgação/CRB)

A estreia do CRB na Série B já entregou um raio X do momento do time. Penta campeão alagoano, oito jogos de invencibilidade e, acima de tudo, uma identidade construída. Isso conta. E conta muito.

Por isso, a fala de Eduardo Barroca na coletiva, ao dizer que todos os que entraram foram bem e que o grupo é muito forte, soou exagerada para parte da torcida. Soou quase como negação da realidade. Mas aí mora o erro de leitura.

Barroca não é ingênuo. Sabe que nem todos entraram no mesmo nível. Sabe que Geovanne e Estrella deram respostas melhores. Sabe também que ainda há peças que precisam evoluir. Só que técnico experiente não dá coletiva apenas para analisar jogo. Muitas vezes, fala para proteger ambiente.

Prestando atenção no contexto, o recado foi claro. A janela fecha no dia 27, o mercado está cada vez mais caro e, para um clube com o orçamento do CRB, não é simples encontrar titulares prontos, disponíveis e compatíveis com a realidade financeira. Quem imagina que a solução virá de fora, como num passe de mágica, está olhando o futebol pela vitrine, não pelo caixa.

Por isso Barroca esticou a corda da proteção. Não quis jogar a culpa no elenco, nem expor publicamente um grupo que, até aqui, entregou quase tudo na temporada. Foi um movimento de escudo. Uma mensagem para dentro, antes de ser uma explicação para fora.

No fundo, a coletiva disse o seguinte: de fora virá crítica, pressão e cobrança. Aqui dentro, a ordem é fechar fileiras.


				A fala de Barroca que incomodou a torcida e blindou o elenco
O penta não caiu do céu. Foi construído.. (Foto: Divulgação/CRB)

E faz sentido. Time que quer subir não pode perder energia com ruído de bastidor, vaidade ferida ou caça aos culpados em abril. Série B não premia histeria. Premia regularidade, resiliência e capacidade de sobreviver à maratona.

O empate fora de casa foi natural. Poderia ter sido melhor, claro. Não foi. Acontece.

Os cinco jogos de sábado na abertura da Série B mostraram logo a cara da competição: ninguém venceu como visitante. Isso não absolve atuação ruim, mas ajuda a colocar a análise no eixo certo.

Quem tem menos investimento precisa de algo que dinheiro não compra em abundância: apoio, humildade, leitura correta da própria realidade e força para suportar o percurso. A maratona está só começando. O problema é que muito torcedor já quer correr os 42 quilômetros em ritmo de sprint.

Barroca, goste-se ou não da coletiva, parece ter entendido isso antes de muita gente.