Ufal aprova cotas para pessoas trans em cursos de graduação
Universidade Federal de Alagoas reservará 2% das vagas para travestis, transexuais, transgênero e pessoas não binárias a partir do segundo semestre do ano letivo de 2026
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aprovou a Política de Ações Afirmativas para Pessoas Trans no acesso aos cursos de graduação da instituição. A medida foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni) e prevê a reserva mínima de 2% das vagas por curso, turno e local de oferta, garantindo pelo menos uma vaga em cada graduação.
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A política contempla pessoas travestis, transexuais, transgênero, não binárias e indivíduos com vivências de variabilidade de gênero, cuja identidade de gênero não corresponde ao sexo atribuído no nascimento. Segundo a proposta apresentada ao Consuni, a iniciativa busca ampliar a inclusão no ensino superior e enfrentar desigualdades, preconceitos e violências motivadas pela identidade de gênero.
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O reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, destacou que mais de 40 universidades públicas brasileiras já adotam políticas semelhantes. Segundo ele, a implementação das cotas trans na graduação segue uma política que já existe na pós-graduação desde 2022.
“Isso está em plena sintonia com todas as políticas de acesso ao ensino superior. A própria Ufal já tem essa política instituída para as atividades de pós-graduação por uma resolução do Consuni desde 2022, e agora, a partir do segundo semestre de 2026, adota também para os cursos de graduação”, afirmou.


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A pró-reitora de Graduação, Eliane Barbosa, afirmou que a medida reforça o compromisso institucional da universidade com a inclusão e os direitos humanos.
Como vai funcionar a política de cotas trans da Ufal
A implementação ocorrerá em duas etapas. No semestre 2026.2, o ingresso será feito por meio de processo seletivo próprio, com edital específico. Já a partir de 2027, as vagas reservadas deverão ser incorporadas ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
O reitor explicou ainda que a nova política não reduz vagas da ampla concorrência, já que as cotas trans serão aplicadas dentro do sistema de cotas já existente para estudantes da rede pública.
A construção da política foi realizada por grupos de trabalho responsáveis pela elaboração da resolução, criação do edital, definição da comissão de validação da autodeclaração e discussão de ações de permanência estudantil. As reuniões aconteceram entre novembro de 2025 e abril de 2026.
Ufal prevê acolhimento e apoio psicossocial para estudantes trans
Além do acesso à universidade, a política também prevê ações voltadas à permanência estudantil. Entre as medidas discutidas estão acolhimento psicossocial, suporte econômico e capacitação de servidores e estudantes para o atendimento qualificado da população trans.
O professor Waldemar Neves afirmou que a universidade já estrutura uma rede de atendimento com psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, psiquiatras e endocrinologistas para acompanhar os estudantes trans. O serviço deve começar ainda neste mês de maio.
A política também prevê a criação de uma comissão de validação da autodeclaração, formada por docentes, técnicos administrativos e representantes da comunidade trans de Alagoas. O percentual de vagas reservadas será reavaliado pelo Consuni a cada dez anos.

