Permissionários da Ceasa protestam contra concessão do complexo à iniciativa privada em Maceió
Manifestantes fecharam o trânsito nas imediações no Centro e pedem que deputados estaduais rejeitem a proposta
Permissionários da Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa) realizaram um protesto nesta quinta-feira (15), nas imediações da Praça do Montepio, no Centro de Maceió, contra o projeto que autoriza a concessão do complexo à iniciativa privada. A manifestação provocou o fechamento do trânsito na região. Os trabalhadores temem aumento das taxas, fechamento de pequenos negócios, demissões e encarecimento dos alimentos comercializados no estado.
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A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) deve votar a proposta em segundo turno. De autoria do governador Paulo Dantas (MDB), o Projeto de Lei Ordinária nº 2.123/2026 autoriza a concessão de uso oneroso do complexo por 30 anos, com possibilidade de renovação por mais 30. Se aprovado sem alterações, o texto seguirá para sanção do governador.
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Embora os permissionários se refiram à medida como privatização, o modelo previsto é de concessão. Nesse formato, o imóvel permanece pertencendo ao Estado, enquanto a operação, a manutenção, a modernização, a gestão e a exploração econômica ficam sob responsabilidade da empresa vencedora da futura licitação.
A mobilização ocorre um dia após uma sessão especial na Assembleia Legislativa, quando comerciantes, permissionários e representantes da categoria cobraram mais diálogo e transparência sobre a proposta. Os trabalhadores afirmam que não receberam informações suficientes antes do avanço do projeto e defendem que suas reivindicações sejam consideradas pelos deputados estaduais.


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Dia de finados: comerciantes já se preparam para a data

Renato Ferro, representante dos permissionários, afirmou que os comerciantes foram surpreendidos pela proposta e não participaram de reuniões prévias para discutir os possíveis impactos da concessão.
“Pegou todo mundo de última hora. Um projeto inconstitucional, que não tem nenhuma segurança jurídica, feito de última hora, sem nenhum consentimento, sem nenhuma reunião com os permissionários da Ceasa”, declarou.
Segundo Renato, mais de 500 permissionários trabalham atualmente no complexo, que, de acordo com a estimativa apresentada por ele, movimenta cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos. O representante pede que os parlamentares rejeitem a proposta neste momento e defende que qualquer mudança na gestão seja precedida de estudos e de diálogo com os trabalhadores.
Ele também demonstrou preocupação com a capacidade dos pequenos comerciantes de arcar com possíveis reajustes nas despesas de funcionamento.
“Principalmente aumento de preço, inviabilidade de trabalho para os pequenos comerciantes, que os grandes talvez tenham como pagar, o pequeno não”, afirmou.
Comerciante teme prejuízos e aumento das taxas
Já a permissionária Léa Borges, que trabalha na Ceasa há 22 anos, também participou do protesto. Ela afirmou que os comerciantes temem perder investimentos realizados nas lojas e nos terrenos do complexo, além de enfrentar possíveis aumentos nas despesas após a mudança de gestão.
Léa relatou que paga entre R$ 4,8 mil e R$ 5 mil mensais em despesas relacionadas à loja, incluindo as taxas mencionadas por ela. A comerciante teme que a empresa responsável pela concessão eleve os valores cobrados dos permissionários, comprometendo a continuidade de pequenos negócios.
“Agora imagine uma loja que custa hoje cinco mil, ela vai para quanto?”, questionou.
A trabalhadora também alertou para o risco de repasse dos custos ao consumidor. Na avaliação dela, o aumento das despesas dos comerciantes pode encarecer frutas, verduras e legumes, dificultando o acesso da população a alimentos básicos: “Quem é que vai poder comprar um quilo de tomate?”.
Léa destacou ainda que a atividade da Ceasa envolve não apenas os comerciantes instalados no complexo, mas também produtores rurais, trabalhadores responsáveis pela colheita, transportadores e profissionais que atuam no carregamento e na distribuição das mercadorias.
Ela disse que sua empresa, administrada com o marido, emprega entre dez e 15 pessoas. Por isso, teme que eventuais mudanças nos custos afetem os negócios e os empregos ligados à cadeia de abastecimento.
A permissionária também alertou para possíveis reflexos no fornecimento de alimentos a restaurantes, hotéis, hospitais e escolas. Conforme Léa, o aumento dos preços poderia atingir diferentes setores da economia e comprometer a oferta de frutas e verduras aos consumidores.
Os manifestantes defendem que a Assembleia Legislativa considere as preocupações da categoria antes de decidir sobre a concessão. O grupo cobra garantias para os permissionários e mais esclarecimentos sobre as condições que serão estabelecidas para a futura empresa responsável pela administração do complexo.

