Comunidade africana celebra 53 anos de independência da Guiné-Bissau em Maceió
Encontro reuniu integrantes da comunidade africana com música, dança, comidas típicas e histórias.
A comunidade africana que vive em Maceió se reuniu neste sábado para celebrar os 53 anos de independência da Guiné-Bissau, comemorados neste mês de setembro. A data marcou a oportunidade de manter viva a história do país e fortalecer os laços entre africanos que vivem na capital alagoana.
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O encontro foi marcado por música, dança, comida e confraternização. Para os participantes, a celebração também representa um momento de reencontro com as próprias raízes e de compartilhamento da cultura africana.
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A independência da Guiné-Bissau foi conquistada após uma luta contra o domínio português. O país declarou independência em 1973, e o reconhecimento oficial por Portugal ocorreu no ano seguinte.
“Somos um país jovem, com mais ou menos 53 anos de independência. É um país pequeno, que fica na costa ocidental da África, com mais ou menos 36 mil e 125 quilômetros quadrados”, explicou um dos integrantes da comunidade.


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A data tem um significado especial para os guineenses porque representa a conquista de símbolos nacionais e da autonomia do país.
“É a partir dessa data que temos um hino, uma bandeira e um passaporte. Hoje nos lembramos da casa, porque é o momento em que nos juntamos”, afirmou.
Guiné-Bissau
Localizada na costa ocidental da África, a Guiné-Bissau tem população de aproximadamente 2 milhões de habitantes. A agricultura é uma das principais atividades econômicas do país.
O território também é formado por um conjunto de ilhas. O arquipélago de Bijagós reúne 88 ilhas e possui uma organização social tradicional marcada pelo sistema matriarcal. A capital, Bissau, concentra uma parcela significativa da população do país.
Para os integrantes da comunidade em Maceió, a comemoração não representa apenas a história da Guiné-Bissau, mas também uma conquista compartilhada por outros povos africanos.
“Não é só uma data para a Guiné-Bissau. É uma data dos africanos, porque conseguimos nos libertar e nos tornar independentes”, destacou um participante.
A presença de africanos em Alagoas também está relacionada a uma parceria de mais de duas décadas entre o Brasil e países africanos de língua portuguesa.
Muitos estudantes chegaram ao estado por meio de convênios mantidos pelo governo federal com nações africanas de língua oficial portuguesa, grupo conhecido como Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop).
Entre os estudantes que vieram para Alagoas está Crisandra, natural de Cabo Verde. Ela chegou ao estado para estudar, retornou ao país de origem depois da formação e, posteriormente, voltou para fazer residência médica. A pediatra decidiu permanecer em Alagoas e construir a vida no estado.
“Para mim, chega a ser desbravador, porque a gente chegou aqui numa época que não tínhamos imigrantes africanos no Brasil. Pelo menos, em Alagoas, nós não tínhamos”, contou.
Segundo ela, muitos dos estudantes que chegaram inicialmente ao estado estudaram e retornaram aos países de origem. Outros, porém, decidiram permanecer e construíram novas histórias em Alagoas.
Novas gerações
A trajetória dos africanos que chegaram a Alagoas também deu origem a novas famílias. Muitos se casaram com brasileiros e tiveram filhos, formando uma nova geração com vínculos entre os dois continentes.
“Esses estudantes cresceram, se formaram, casaram, constituíram famílias que resultaram em filhos. Filhos brasileiros e guineenses”, relatou.
Para a comunidade, a presença africana em Alagoas também representa uma oportunidade de ampliar o intercâmbio cultural e mostrar uma visão mais ampla sobre o continente africano.
“A nossa vinda para cá abre portas para que também novas pessoas possam vir, trazer ciência, trazer conhecimento, trazer inteligência, mostrar que a África não é só o que eles mostram”, afirmou um dos participantes.
A celebração em Maceió reforçou, assim, a importância da cultura, da memória e da troca de experiências entre brasileiros e africanos, mantendo vivas as tradições da Guiné-Bissau e fortalecendo os laços entre os dois povos.
