Câmara do Paraguai rejeita impeachment do vice-presidente em meio a crise
Pedro Alliana deve assumir a presidência do Paraguai após a renúncia de Santiago Peña

A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou o impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente do país, nesta quinta-feira (5).
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Isso acontece após a renúncia do presidente Santiago Peña e em meio ao fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas e gerou protestos.
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Foram 48 votos pela rejeição do impeachment de Alliana e 30 a favor. Agora, ele está posicionado para assumir o governo paraguaio.
Por outro lado, a Câmara paraguaia aprovou impeachment contra Peña, com opositores defendendo que ele seja retirado do cargo para não ter foro privilegiado. O Senado ainda precisa votar o processo.


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A renúncia do presidente também precisa ser aprovada pelo Congresso. Uma sessão foi marcada para as 17h, no horário local e de Brasília.
Quem é Pedro Alliana?
Aos 52 anos, ele acumula passagens pelos poderes Executivo e Legislativo.
Foi governador do departamento de Ñeembucú entre 2008 e 2012 e, após o fim do mandato, candidatou-se à Câmara dos Deputados, onde atuou entre 2013 e 2023.
Nesse período, assumiu a presidência da Casa em diferentes momentos, além de liderar o Partido Colorado, a principal força política do país, entre 2015 e 2023.
Na cadeira de vice, Alliana tem acumulado funções relacionadas à política externa do Paraguai.
Entenda a crise do "Banco Master paraguaio"
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
