Renan pede bloqueio de bens de JHC e devolução de R$ 117 milhões ao Iprev
Defesa do ex-prefeito diz que responderá nos autos e acusa oposição de explorar tema em meio ao cenário político

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) ingressou na Justiça com uma ação popular pedindo o bloqueio de bens do ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), de ex-dirigentes do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), do Banco Master e de outros envolvidos nas aplicações de R$ 117 milhões do fundo previdenciário municipal. A ação busca recuperar os recursos dos aposentados e pensionistas da capital após a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

A medida foi protocolada após o colapso do Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025, um dia após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, durante operação da Polícia Federal que investigou suspeitas de gestão fraudulenta e organização criminosa.
Leia também
Confira a ação abaixo:
De acordo com a ação, a recuperação dos valores tornou-se urgente diante da incapacidade da instituição de honrar compromissos financeiros, colocando em risco recursos aplicados por investidores e fundos previdenciários. O montante de R$ 117 milhões, segundo a peça, corresponde a valores destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores municipais.


Prisão de influenciador vira munição em disputa entre JHC e Paulo Dantas

PL de AL aposta em ex-vereador para liderar juventude do partido

Inauguração de avenida em Arapiraca mobiliza lideranças e sinaliza articulação política

Antigos rivais, Sérgio Lira e Marcos Madeira se juntam em apoio a JHC
O senador pede o bloqueio imediato de bens dos envolvidos até o limite do valor investido, além da condenação solidária para garantir o ressarcimento integral, com juros e correção monetária. O objetivo é anular as operações realizadas pelo Iprev e assegurar a recomposição do patrimônio previdenciário.
Além de JHC, são citados na ação o ex-presidente do Iprev, Ronnie Reyner, integrantes do Comitê de Investimentos da autarquia, a consultoria Crédito & Mercado, o Banco Master e seus sócios Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima.
Segundo o processo, Maceió se tornou a capital com maior exposição ao Banco Master após aplicar recursos em Letras Financeiras da instituição. O primeiro aporte ocorreu em dezembro de 2023, no valor de R$ 80 milhões, com vencimento de dez anos. Em maio de 2024, uma nova operação ampliou a exposição do instituto.
A ação aponta supostas falhas de governança e ausência de análises adequadas de risco, além de descumprimento de normas internas do próprio instituto. Também destaca que os títulos adquiridos não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que dificulta a recuperação dos valores após a liquidação do banco.
Outro ponto levantado é a suposta omissão do município de Maceió, que, segundo o senador, não teria instaurado procedimentos administrativos para apurar responsabilidades após o agravamento da situação da instituição financeira.
Caso a Justiça acate os pedidos, os bens dos réus poderão ser bloqueados até o limite de R$ 117 milhões enquanto o mérito da ação é analisado.
Defesa fala em “narrativa política”
A resposta do grupo político de JHC veio por meio do coordenador da campanha do PSDB, Júnior Leão, que afirmou que o caso será tratado no âmbito judicial.
“Será respondido no processo, nosso jurídico atuará. Estamos tranquilíssimos em relação a isso. A oposição está criando narrativas aproveitando o momento político, isso não é sério. Recentemente elogiavam e defendiam ele, inclusive sobre esse tema, querendo atraí-lo pra caverna maldita. Toda Alagoas conhece essa turma, são mais de 40 anos na política. Acabou o ciclo, isso é natural. O povo agora quer mudar simplesmente isso. Esse sentimento de mudança é uma onda que ninguém segura”, declarou.
