Cabo Verde encara seu maior teste: a chance de eliminar e criar uma lenda
Cabo-verdianos já torceram muitas vezes para a Argentina em Copas do Mundo, agora vão desafiar a turma de Lionel Messi

Nas conversas com o técnico Bubista e os heróis da seleção de Cabo Verde, não é raro ouvir histórias de como o país costumava parar em frente à TV para ver os jogos da Copa do Mundo da FIFA e se admirarem com jogadores de outras nacionalidades. Brasileiros, na maioria das vezes, dado o vínculo cultural entre os países, é verdade. Agora, nesses laços afetivos, a Argentina também foi envolvida.
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Não custa lembrarmos aqui talvez a mais saborosa dessas histórias, contada pelo goleiro Vozinha à FIFA, sobre como, pela vontade se seu pai, ele não se chamaria Josimar. Mas, sim, Jorge Valdano, o centroavante campeão mundial com Diego Maradona em 1986. Só não aconteceu pelo fato de as autoridades não permitirem nomes estrangeiros à época.
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Isso, claro, aconteceu em tempos quando o Mundial parecia uma ilha inalcançável para os Tubarões Azuis.
Hoje, pais e filhos cabo-verdianos estão se emocionando com a campanha histórica de sua seleção. Um time que empatou com a poderosa Espanha, eliminou o Uruguai e agora se prepara para enfrentar mais um campeão mundial. Ou melhor: a atual campeã mundial, justamente a Argentina, nesta sexta-feira (3), em Miami.


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A seleção dirigida por Lionel Scaloni gastou a bola na fase de grupos e chega à fase de 16-avos de final como evidente candidata ao título e um Lionel Messi que não para de quebrar recordes.
Para Cabo Verde, a classificação ao mata-mata em sua primeira Copa do Mundo já representa uma façanha. Esse é um orgulho que ficará para sempre. Mas esse orgulho vem de sua competitividade, e eles provaram nas últimas semanas que podem desafiar a elite do futebol.
O jogo contra a Argentina e Lionel Messi será, nesse sentido, um teste supremo – e uma experiência única, ao mesmo tempo. “Temos uma ligação grande com a Argentina. Poder enfrentá-los é um prêmio para esses jogadores, para essa equipe, para esse povo”, afirma o técnico Bubista.
O goleiro Vozinha vai além: “Estamos eufóricos. Classificar para a segunda fase é fazer história em cima de história. Vamos competir com a Argentina. No futebol, tudo pode acontecer. Vamos respeitar como respeitamos a todos, mas vamos competir.”
E completa: “Estamos realizando um sonho, mas quando entramos em campo não podemos ver as caras. Vamos entrar como entramos contra a Espanha ou qualquer seleção.”
O discurso, como vemos, mantém sua consistência. Agora, será impossível ignorar a cara de um Lionel Messi, certo? Não só por ele estar nas capas de todos os sites e jornais e em muitas peças o dia todo na TV americana.
Como se não bastasse, o técnico Bubista também está estudando os triunfos argentinos pelo Grupo J, e lá estarão gravados os seis gols do craque em 223 minutos de futebol.
“Para nós, é uma satisfação grande enfrentar aquele que para muitos é o maior jogador de todos os tempos. Vai ser a camisa 10 contra as dez ilhas? Obviamente. Teremos caráter, disciplina, nossa identidade”, responde Bubista.
A Argentina chega com uma engrenagem afinadíssima. Messi não só define como organiza. Ele é um especialista em manipular defesas. Julián Álvarez, Alexis Mac Allister, Rodrigo De Paul e outros talentosos jogadores orbitam ao redor dele com precisão.
É um time que controla ritmos e castiga qualquer desatenção. O bloco defensivo de Cabo Verde, então, vai precisar estar mais coordenado como nunca para retomada de bola e, a partir daí, buscar as transições rápidas.
Diney Borges, um dos pilares defensivos da campanha, será um dos encarregados de executar plano. Todo com a cabeça tranquila, embora reconheçam a ocasião especial para suas carreiras. “Não é todo dia que se enfrenta o Messi, é praticamente um sonho de criança. Crescemos vendo o Messi jogar”, diz o zagueiro.
O contraste emocional é evidente: a Argentina carrega a responsabilidade de defender o título; Cabo Verde, a leveza de quem já superou todas as expectativas. Quanto mais o jogo permanecer controlado, seria uma audácia imaginar uma zona de conforto para o time de Bubista à medida que o cronômetro avançar?
Para Cabo Verde, é a chance de transformar uma campanha histórica em algo lendário. “Vamos ter a oportunidade e, se Deus quiser, podemos eliminar a Argentina campeã do mundo”, completa Diney.
