Empresa ligada a amigo de Flávio pagou R$ 17,7 milhões à firma de Virginia Fonseca
Transferências foram comunicadas ao Coaf; advogado investigado pela PF citou empresa em e-mail

Uma empresa atribuída ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro com casas de apostas, transferiu R$ 17,7 milhões à Talismã Digital, empresa da influenciadora Virginia Fonseca.
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Foram cinco Pix feitos pela AMP Pay Marketing e Negócios entre março e setembro de 2024. O Santander considerou as transações suspeitas e as comunicou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
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A ligação da AMP Pay com Willer foi revelada nesta sexta-feira (6) pela Folha de S.Paulo. Segundo documentos da investigação da PF, o advogado se declarou sócio ou acionista da empresa num e-mail enviado ao Magnum Bank em 2024. O dono registrado da AMP Pay diz não conhecê-lo.
Empresa de Virginia Fonseca recebeu R$ 22,4 milhões em sete meses


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Os repasses à Talismã Digital apareceram em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) analisados pela CPI das Bets e foram revelados pela revista piauí em junho.
Entre março e setembro de 2024, a empresa de Virginia, que na época tinha o cantor Zé Felipe como sócio, recebeu R$ 22,4 milhões. Desse total, R$ 17,7 milhões saíram da AMP Pay. Na comunicação ao Coaf, o banco apontou que as movimentações eram incompatíveis com o perfil cadastral da pagadora.
A AMP Pay foi aberta em outubro de 2023, em Itajaí (SC), com capital social de R$ 50 mil, para atuar com intermediação de negócios e marketing direto. Em janeiro de 2024, entrou no Simples Nacional, regime reservado a empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano. Em sete meses, só para a Talismã, ela repassou quase quatro vezes esse limite.
PF suspeita de empresa de fachada e investiga ligação com Blaze
A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que a AMP Pay seja uma empresa de fachada. Os investigadores a colocam na primeira camada de pessoas jurídicas que Willer Tomaz teria usado para movimentar dinheiro.
Uma nota técnica do Ministério da Fazenda aponta que o advogado movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas em 2025, somando valores apostados e reapostados.
Outra frente da investigação encontrou transferências de Willer para a Blaze a partir de uma conta na fintech A55. A instituição considerou as operações atípicas, bloqueou o CPF do advogado e avisou o Coaf. A A55 também aparece na Operação Azzardo, noticiada pela Fórum.
No mesmo período em que a Talismã recebia os Pix da AMP Pay, Virginia fazia propaganda da Blaze. A PF também apura se Willer tem vínculos empresariais com a plataforma de apostas.
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro
Willer Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro e aparece em outra investigação da PF sobre possíveis vínculos financeiros entre os dois.
Como a Fórum mostrou, o senador figurava como usuário master de uma conta ligada à Alcazar Holdings, offshore associada ao advogado. Os investigadores também identificaram viagens dos dois em aeronaves pagas por empresas ligadas a Willer.
Flávio nega ser sócio do advogado e diz que a relação entre eles é de amizade. As informações divulgadas sobre os cinco Pix não citam participação do senador nos pagamentos à empresa de Virginia.
Virginia Fonseca foi ouvida pela CPI das Bets
Virginia depôs à CPI das Bets em 13 de maio de 2025. Negou receber pagamento calculado sobre as perdas dos seguidores nas plataformas de apostas e, amparada por habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, não revelou os valores de seus contratos publicitários.
A relatora, senadora Soraya Thronicke, propôs o indiciamento da influenciadora por estelionato e publicidade enganosa. O relatório foi rejeitado por quatro votos a três em junho de 2025, e a CPI terminou sem indiciamentos.
Segundo a piauí, as movimentações apontadas nos relatórios financeiros passaram a ser investigadas também pela PF.
O que dizem os envolvidos
A assessoria de Virginia afirma que os R$ 17,7 milhões pagaram campanhas publicitárias devidamente contratadas, informadas às autoridades fiscais e com nota emitida. Não disse quais campanhas foram essas. Segundo a equipe, Virginia não conhece Willer Tomaz, nunca negociou com ele, e o nome do advogado não aparece em seus contratos.
Guilherme Maciel, dono formal da AMP Pay, nega relação com Willer e diz que a empresa atuou regularmente como intermediadora de pagamentos entre 2024 e 2025.
