Em áudios, advogada morta dizia ter medo que ex fizesse "alguma maldade". Ouça
Mulher de 29 anos e filho de 6 são encontrados mortos; ex-namorado é preso

São Paulo — A advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, avisou a síndica do condomínio onde morava que estava com medo de que o ex-namorado Eric Conrado Alves de Almeida fizesse “alguma maldade”, antes de ser encontrada morta na noite dessa terça-feira (3/11), em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo uma amiga da família, a vítima tinha decidido terminar o relacionamento há cerca de um mês, mas Eric não aceitava isso.
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O Metrópoles teve acesso a áudios enviados por Anna Gabriela, nos quais ela contou que havia sido trancada pelo ex-namorado dentro do apartamento dele em um dia anterior à morte e descreveu a situação como “horrível”. Apesar de já ter terminado a relação com Eric, a mulher e o filho ainda estavam em processo de saída do apartamento dele.
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Na gravação, a mulher disse também que estava no salão de beleza da mãe, mas preocupada com o que o homem poderia fazer. Ela inclusive pediu para a síndica ajudar a proteger o carro dela que ainda estava no condomínio.


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“Se você puder pedir para alguém ficar olhando o meu carro, porque eu tenho muito medo dele fazer alguma maldade. Então pede para ficar alguém olhando ali, porque ele está voltando agora pra lá. Só pede por favor, para ele não fazer nenhuma maldade”, suplicou Anna Gabriela.





A mulher e o filho dela, Raphael Faria Lima Ferrari, de apenas 6 anos, foram achados mortos dentro do apartamento de Eric, na Estrada Manoel Lajes do Chão, na noite de terça (3/11). A polícia tomou conhecimento após o empresário ligar para um escritório de advocacia de Campinas, no interior paulista, para confessar o crime e indicar a localização exata do imóvel em que estava. Uma advogada foi até a delegacia e denunciou o ocorrido.
Os policiais compareceram ao endereço sinalizado, porém não encontraram Eric no local. Ele estava foragido até a noite dessa quarta-feira, quando foi localizado escondido em uma casa no bairro Jaguaré, na zona oeste de São Paulo.
Segundo a delegada Monica Gamboa, que comandou a operação, ele estava alterado e “desejando morrer”. Ao ser preso, o empresário não confessou o crime e chegou a falar que “a mulher da vida dele morreu nos braços” e que “não tinha o que fazer”.
Eric passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (5/11) e a Justiça decidiu por manter a prisão do suspeito. Segundo o TJSP, “não foram identificadas irregularidades no cumprimento do mandado de prisão”.
Natural do município de São Paulo, Anna era advogada desde 2020 e vivia o auge de sua carreira. Ela e Raphael são velados e sepultados nesta quinta-feira (5/11), em um cemitério localizado no bairro Paraíso do Morumbi, na zona sul da capital.
O caso é investigado como feminicídio e vicaricídio — quando um parente ou dependente de uma mulher é assassinado com objetivo de controlar, punir e/ou causar sofrimento a ela.
Entenda o caso
Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e o filho dela, Raphael Faria Lima Ferreira, de 6, foram encontrados mortos na terça-feira (3/11) em um apartamento em Cotia, na Grande São Paulo.
O principal suspeito de matar mãe e filho é o empresário Eric Conrado Alves de Almeida, ex-namorado de Anna, que não aceitava o término da relação.
Após matar as vítimas, o homem fugiu em uma caminhonete durante a madrugada e ligou para um escritório de advocacia para confessar o crime.
Uma advogada foi à Delegacia de Cotia para comunicar o fato.
A Polícia Civil pediu a prisão temporária do suspeito e a Justiça acatou o pedido nessa quarta-feira (4/11).
Eric foi localizado escondido em uma casa no bairro do Jaguaré, na zona oeste da capital paulista.
Segundo a delegada Monica Gamboa, que comandou a operação, o empresário estava alterado e “desejando morrer” no momento da prisão.
Mulher era bisneta do brigadeiro Faria Lima
Anna Gabriela Faria de Lima era bisneta de Roberto Faria Lima, tenente-brigadeiro da Força Aérea Brasileira (FAB). Roberto, por sua vez, era irmão de outro brigadeiro, José Vicente de Faria Lima, ex-prefeito de São Paulo (entre 1965 e 1969) e que dá nome a uma das avenidas mais importantes da zona oeste da capital paulista, a Brigadeiro Faria Lima.
A advogada era filha de Paulo Roberto Faria Lima, ex-vereador paulistano condenado nos anos 1990 por envolvimento em um esquema de corrupção que ficou conhecido como Máfia da Propina. Paulo Roberto, por sua vez, era filho de José Roberto Faria Lima, ex-deputado federal, e neto do brigadeiro Roberto Faria Lima.
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