Síndrome do coração partido: cardiologista detalha condição que afeta Gustavo Xuxa
Em entrevista ao Bom Dia Alagoas, Rayssa Rodrigues detalhou como a condição pode afetar o funcionamento do coração
O caso do meio-campista Gustavo Xuxa, ex-jogador do CSA, voltou a chamar a atenção para os cuidados com a saúde cardiovascular no esporte. Na manhã desta quinta-feira (5), durante o programa Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta, a cardiologista Rayssa Rodrigues explicou a chamada Síndrome do Coração Partido, condição associada ao quadro clínico do atleta, de 33 anos, que sofreu uma arritmia cardíaca durante um treinamento do Mixto, em 25 de setembro.
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Durante a entrevista, a especialista esclareceu os mecanismos da síndrome, também conhecida como Takotsubo, e explicou como situações de estresse físico ou emocional podem provocar alterações importantes no funcionamento do coração. Segundo a médica, embora seja mais comum em mulheres de meia-idade após episódios de estresse emocional, a condição também pode ser desencadeada pelo esforço físico.
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No caso de Xuxa, o episódio aconteceu enquanto o jogador realizava atividades leves durante o processo de transição física, após uma lesão. Rayssa explicou que o organismo libera substâncias como adrenalina e noradrenalina durante o esforço. Em pessoas suscetíveis, o excesso dessas substâncias pode provocar um efeito tóxico no músculo cardíaco.
“Então, o que aconteceu com o Xuxa foi justamente isso. Foi uma quantidade grande de catecolaminas, de noradrenalina e adrenalina, que chegou no coração e, ao invés de fazer bem, fez um efeito tóxico e ocasionou essa alteração”, explicou a cardiologista.


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A médica também destacou que a síndrome pode apresentar sintomas semelhantes aos de um infarto, como dor no peito e alterações nos exames iniciais. A diferenciação depende de uma avaliação especializada, com exames como cateterismo e ecocardiograma. Apesar de geralmente ser reversível, a condição pode evoluir para insuficiência cardíaca e arritmias, como aconteceu com o meio-campista.

Estado de saúde de Gustavo Xuxa
Gustavo Xuxa permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Cuiabá. O jogador respira sem a ajuda de aparelhos, mas continua inconsciente e sem apresentar reações neurológicas.
A expectativa é que o atleta deixe a unidade hospitalar em breve para dar continuidade ao tratamento em casa, em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde mora com a família. A estrutura de atendimento domiciliar, no entanto, ainda depende da resolução de questões burocráticas. Não há previsão definida para a saída do hospital.
Durante a entrevista, Rayssa Rodrigues também abordou a possível relação entre a parada cardiorrespiratória e as sequelas neurológicas. De acordo com a especialista, o período em que o cérebro permanece sem receber oxigênio pode provocar lesões graves, o que torna a recuperação neurológica mais complexa.
Passagem pelo futebol alagoano
Em 2024, Gustavo Xuxa defendeu o CSA e disputou 22 partidas, somando compromissos pela Copa do Nordeste, Campeonato Alagoano, Copa Alagoas e Série C do Campeonato Brasileiro. Pelo Azulão, o meio-campista marcou seis gols e distribuiu uma assistência. Naquele ano, também conquistou a Copa Alagoas. Após chegar à final contra o Penedense, o CSA garantiu o título no confronto de volta, disputado no Estádio Alfredo Leahy, em Penedo, com gol marcado por Xuxa, que foi decisivo para a conquista azulina.

A entrevista também contextualizou outro episódio recente envolvendo o futebol internacional. O atacante Jesús de Miguel Alameda, de 30 anos, do CD Tenerife, morreu na terça-feira (3), após sofrer uma parada cardíaca decorrente de um choque com o goleiro Jesús Owono, do FC Andorra, durante uma partida da segunda divisão espanhola, no último domingo (1º).
VEJA LANCE
Ao encerrar a participação, a cardiologista fortaleceu que a prática de atividades físicas continua sendo uma das principais aliadas da saúde cardiovascular. A recomendação é respeitar os limites individuais, realizar exercícios de acordo com a idade e o condicionamento físico e manter acompanhamento médico regular.
