Maceió: 88% dos pets mortos têm destino inadequado; veja os riscos
Sem cemitério municipal para pets, tutores recorrem à cremação, enquanto o descarte irregular pode provocar contaminação do solo e da água.
A morte de um animal de estimação representa um momento doloroso para muitas famílias. Além de lidar com a saudade, os tutores precisam decidir o que fazer com o corpo do pet. Em Maceió, um levantamento aponta que 88% dos animais mortos têm destinação inadequada, como o descarte em terrenos baldios e o enterro irregular em quintais. Apenas 12% passam por cremação, considerada uma alternativa ambientalmente adequada.
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A tutora Vanessa conhece de perto a dor da perda. Ela precisou se despedir de Edu e Patrão, um cachorro e um gato que faziam parte da família. Desde a morte dos animais, a rotina mudou, e a saudade continua presente.
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"É um processo bastante doloroso, o luto. A gente não pode deixar de destacar aqui. Mas é uma coisa que a gente tem que aprender a conviver e aceitar. Vai ter dias, como eu já te falei, mais fáceis, vai ter dias mais difíceis, mas o luto vai sempre existir. A gente é que vai aprender a conviver com ele", relatou.
Cremação oferece alternativa aos tutores


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Na busca por uma despedida digna para os animais, Vanessa pesquisou alternativas e encontrou um serviço de cremação em Maceió. Segundo ela, o atendimento facilitou o processo em um momento de fragilidade emocional.
"A gente começou a pesquisar, eu comecei a pesquisar, encontrei uma empresa que fazia aqui esse processo. Então entrei em contato, foi muito tranquilo, porque tanto faz se o animal vem a falecer na sua casa ou se ele vem a falecer em alguma clínica veterinária, eles vão, recolhem o animal e fazem todo o procedimento", contou.
O serviço inclui o recolhimento do corpo na residência ou em clínicas veterinárias, a organização da documentação e o agendamento da cremação. Dependendo da modalidade escolhida, as cinzas são devolvidas à família em uma urna personalizada.
O estabelecimento fica no bairro Cidade Universitária e, segundo a reportagem, é o único da capital alagoana que oferece cremação de animais domésticos.
Além do procedimento, as famílias podem utilizar uma capela para a despedida e receber apoio psicológico, caso necessário. Há modalidades de cremação individual, com devolução das cinzas aos tutores.
Descarte irregular pode contaminar solo e água
Apesar da alternativa, o acesso à cremação ainda é limitado para parte da população. O levantamento apresentado na reportagem aponta que a maioria dos animais mortos em Maceió não recebe uma destinação ambientalmente adequada.
O enterro irregular em quintais, terrenos baldios e áreas públicas pode representar riscos ambientais, principalmente quando há possibilidade de contaminação do solo e das águas subterrâneas pela decomposição dos corpos.
A destinação dos animais deve respeitar as exigências sanitárias e ambientais. Por isso, a orientação é que os tutores procurem os serviços públicos responsáveis ou estabelecimentos especializados para saber como proceder após a morte do pet.
Falta de estrutura pública preocupa
A ausência de um cemitério municipal para animais é apontada como uma das dificuldades enfrentadas pelos tutores em Maceió. A falta de alternativas públicas acessíveis também preocupa representantes que defendem melhorias na política de proteção animal.
Adriana, ouvida pela reportagem, destacou a necessidade de discutir a responsabilidade do poder público na destinação dos corpos dos animais, especialmente nos casos em que os tutores não têm condições financeiras de contratar um serviço particular.
Segundo ela, quando a morte está relacionada a uma doença contagiosa, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) deve ser acionado para orientar sobre os procedimentos adequados. Em casos de óbito em clínicas ou hospitais veterinários, os estabelecimentos também podem organizar a destinação por meio de serviços especializados.
A representante afirmou ainda que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pretende procurar os órgãos competentes, em conjunto com o Ministério Público Estadual, para discutir soluções para o problema.
A preocupação é ampliar o atendimento à população e estabelecer procedimentos claros para o recolhimento e a destinação dos animais mortos, sobretudo quando não há condições financeiras para recorrer à iniciativa privada.
Enquanto a cidade não dispõe de uma estrutura pública específica para o sepultamento de pets, a orientação é evitar o descarte irregular e buscar informações junto aos órgãos responsáveis. A medida ajuda a prevenir danos ambientais e garante mais dignidade à despedida de animais que, para muitas famílias, são considerados parte da casa.
