“Uma das piores imagens que já vi na vida”, diz deputada eleita sobre feminicídio em Santana do Ipanema
Advogada Júlia Nunes foi ao município acompanhar as buscas pelo suspeito e cobrou resposta imediata

“Sem dúvida nenhuma, uma das piores imagens que eu já vi na vida”. Foi assim que a advogada Júlia Nunes, deputada federal eleita por Alagoas, definiu as cenas do assassinato de Joseane dos Santos de Araújo, de 42 anos, morta a facadas na noite dessa sexta-feira (30), em Santana do Ipanema, no Sertão alagoano.
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Com 18 anos de atuação no enfrentamento à violência contra a mulher em Alagoas, Júlia afirmou ter ficado profundamente chocada com a brutalidade do crime. Ao receber os vídeos que registraram as agressões, ela se deslocou até Santana do Ipanema para acompanhar as buscas pelo suspeito e cobrar das autoridades uma resposta rápida.
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“Não tinha como fazer diferente. Me dirigi aqui para Santana para garantir que a polícia vai continuar fazendo as buscas até que ele seja encontrado”, declarou à imprensa. Segundo a advogada, houve contato com o comando-geral da Polícia Militar, que garantiu a mobilização das equipes. Ela também destacou a atuação do canil e das forças policiais locais.
Júlia defendeu que a resposta a crimes dessa natureza precisa ser imediata e firme. Para ela, manifestações de solidariedade nas redes sociais não são suficientes diante de um caso de tamanha violência.


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“Não dá para a gente fazer um videozinho na rede social para dizer: 'Ah, eu lamento'. Não. A gente tem que vir até o local para exigir que seja feita a justiça”, afirmou. Ela acrescentou que pretende manter essa postura mesmo depois de assumir o mandato de deputada federal.
Exposição do agressor e preservação da vítima
Durante a entrevista, Júlia também fez um apelo à população para que ajude na identificação de suspeitos de violência, mas preserve a imagem e a identidade das mulheres agredidas.
“Não deixe de divulgar a foto do agressor. Agora, por favor, preserve a identidade da vítima. Nenhuma mulher quer ser intitulada vítima de violência”, declarou.
A advogada ainda criticou a omissão de pessoas que estavam próximas no momento das agressões. Segundo ela, as imagens mostram Joseane pedindo ajuda e demonstrando que estava sendo machucada, enquanto pessoas ao redor não intervieram de maneira efetiva.
“A gente condena muito as mulheres que não denunciam, mas, quando uma mulher é vítima de violência, ninguém age. O que eu vi foi uma mulher sendo vítima de violência e muita gente ao redor sem fazer absolutamente nada. Isso é inaceitável também”, disse.
Alerta às mulheres
Júlia também deixou uma orientação para mulheres que enfrentam situações de violência: procurar as autoridades ao primeiro sinal de agressão e formalizar a denúncia.
Ao comentar informações sobre um possível desentendimento envolvendo uma cobrança financeira, ela ressaltou que nenhuma dívida justifica agressões ou a morte de uma mulher.
“Débito não é polícia. Débito é justiça, é procedimento civil. Ninguém deve morrer por causa de débito”, afirmou.
A deputada federal eleita também destacou que a sociedade precisa abandonar a postura de indiferença diante de episódios de violência doméstica e agir para proteger mulheres em situação de risco.
O suspeito do assassinato foi preso no início da manhã deste sábado (31), em Santana do Ipanema, após uma mobilização da Polícia Militar. Ele foi conduzido ao Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) do município.
