"Senhores" e "escravas": como esquema de exploração sexual operava no Rio
Investigação da Polícia Civil revelou estrutura de escravidão sexual envolvendo a geração de vídeos pornográficos

A coluna apurou detalhes da estrutura criminosa erguida no Rio de Janeiro (RJ) para escravizar sexualmente meninas menores de idade. Os investigados, acusados de crimes como estupro coletivo, tortura e ameaça, foram alvos de operação deflagrada na última quarta-feira (28/10).
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Segundo a PCERJ, a investigação teve início em julho, após a prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, que, à época, trabalhava no gabinete do vereador de Niterói Professor Túlio (Psol). Ele era acusado de estuprar uma adolescente de 16 anos, em Icaraí.
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Na ocasião, os policiais apreenderam dois notebooks e celulares que, após serem analisados, contribuíram para a desarticulação do esquema criminoso.
As investigações que resultaram na ação policial, batizada de Operação NXIVM (Néxium), apontaram a existência de uma grande rede de produção de vídeos pornográficos com adolescentes, em um esquema de escravidão sexual. A estrutura era dividida entre “senhores” e “escravas”.


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De acordo com a Polícia Civil, os vídeos produzidos no esquema criminoso continham cenas de estupro coletivo, nas quais vítimas também eram submetidas a série de torturas.
A subordinação da vítima, chamada nesse contexto de “escrava”, aos seus algozes, os “senhores”, era mantida, conforme apontado pela PCERJ, por meio de torturas, ameaças e chantagem de divulgação dos vídeos com cenas de sexo explícito já confeccionados.
A coação obrigava a menor a se submeter cada vez mais à vontade de luxúria e à agressividade dos autores.
Em um dos casos, a vítima procurou a 74ª Delegacia Policial (Alcântara), acompanhada de seus pais. A decisão de denunciar a engrenagem criminosa teria sido tomada pela adolescente quando ela já não aguentava mais as humilhações. Ela havia passado a ferir a si mesma, arrancar os próprios cabelos e apresentar ideação suicida.
A Polícia Civil identificou pelo menos oito suspeitos. São eles:
Matheus Rodrigues Gonçalves, de 36 anos, que já estava preso desde o fim de julho de 2026;
João Lucas Figueiredo Perrenoud, de 24 anos;
João Pedro Alecrim Soares, de 25 anos;
Natã Marques Pereira, de 28 anos;
Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos;
Miguel Ribeiro Magni, de 20 anos;
Carlos Otávio de Oliveira Soares da Silva, de 29 anos;
Carlos Alberto Lucio Bittencourt Filho, de 45 anos.
No inquérito policial instaurado, foram individualizadas as condutas de cada um dos presos, e cada um deles responderá apenas pelos crimes que lhe foram atribuídos.
A Polícia Civil informou que o mecanismo de chantagem, associado a agressões físicas e psicológicas, era empregado para manter as vítimas sob controle e submetê-las a novos abusos.
A operação foi coordenada pelo delegado Antonio Silvino Teixeira, titular da 74ª DP.
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