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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem Grupo de Renan precisa entender o que falta para vencer em Maceió, diz Vitor Pereira

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Grupo de Renan precisa entender o que falta para vencer em Maceió, diz Vitor Pereira


				Grupo de Renan precisa entender o que falta para vencer em Maceió, diz Vitor Pereira
Edivaldo Junior entrevista Vitor Pereira no Fala, Líder, na CBN. Reprodução Youtube

O grupo político liderado por Renan Filho e Paulo Dantas precisa entender por que não conseguiu transformar os investimentos realizados em Maceió em votos suficientes para vencer a disputa pelo governo de Alagoas. A avaliação é do secretário de Governo, Vitor Hugo Pereira, que reconheceu a necessidade de ampliar o diálogo com os moradores da capital e compreender os erros cometidos na eleição de 2026.

Em entrevista ao Fala, Líder (veja aqui), apresentado por Edivaldo Júnior na CBN Maceió, Vitor analisou a derrota de Renan Filho para JHC, elogiou a capacidade de comunicação do governador eleito e defendeu o respeito ao resultado das urnas. Para ele, o grupo político precisa avaliar o desempenho eleitoral sem desconsiderar o trabalho realizado nos últimos anos.

“A centro-esquerda, o centro democrático de Alagoas, precisa conversar mais com a capital. Acho que essa é uma grande reflexão que nós temos que fazer”, afirmou. O secretário citou bairros como Benedito Bentes, Jacintinho e Graciliano Ramos, onde, segundo ele, o governo estadual realizou investimentos em infraestrutura, mas não conseguiu alcançar o resultado eleitoral esperado.

“Está faltando a gente escutar essas pessoas, saber onde é que a gente está errando para poder acertar”, reconheceu.

A comunicação de JHC

Vitor reconheceu que a capacidade de comunicação de JHC, especialmente nas redes sociais, contribuiu para a vitória do candidato do PSDB. Segundo ele, o governador eleito construiu sua presença digital durante vários anos e conseguiu estabelecer uma relação com o eleitorado que os adversários não souberam enfrentar com a mesma eficiência.

“O JHC é um grande comunicador. Ninguém pode dizer que ele não é. Ele sabe fazer essa comunicação de redes sociais e fez uma estratégia muito interessante”, afirmou.

Na avaliação do secretário, a candidatura de JHC ao governo começou a ser construída antes mesmo do período eleitoral. Ele observou que, depois da reeleição para a Prefeitura de Maceió, em 2024, JHC já trabalhava sua imagem para disputar o governo.

Vitor considera que o resultado exige uma revisão das estratégias de comunicação do grupo governista, sem abandonar a apresentação de propostas e resultados administrativos. “Temos que, respeitando a democracia, avaliar o resultado das urnas, ver por que ele teve uma votação maior do que a nossa, ganhou a eleição e nos preparar para o próximo ciclo. Democracia é isso”, disse.

Saber perder

Um dos momentos mais importantes da entrevista foi a defesa do respeito ao resultado eleitoral. Vitor afirmou que candidatos e partidos precisam reconhecer a decisão dos eleitores, inclusive quando são derrotados. “Tem que saber perder também”, afirmou.

O secretário revelou que acompanhava a apuração na casa do governador Paulo Dantas quando a equipe identificou, por meio das planilhas de acompanhamento, que Renan Filho não conseguiria reverter o resultado.

Segundo ele, Paulo Dantas entrou em contato com JHC assim que a derrota ficou evidente. O próprio secretário também procurou integrantes do grupo vencedor para colocar-se à disposição. “Quando colocamos na planilha e vimos que seríamos derrotados, imediatamente o governador Paulo ligou ao governador eleito JHC e mandou uma mensagem. Eu liguei para pessoas próximas dele e já me coloquei à disposição. O nome disso é democracia”, contou.

Vitor criticou discursos que questionam resultados eleitorais sem apresentar provas e defendeu o reconhecimento da vontade popular como condição para o funcionamento das instituições democráticas. Para o secretário, a derrota nas urnas não deve impedir a continuidade do diálogo político nem comprometer o processo de transição administrativa.

O balanço do governo

Apesar de reconhecer a derrota, Vitor rejeitou a interpretação de que o resultado represente uma reprovação generalizada dos governos Renan Filho e Paulo Dantas. Ele apresentou um balanço positivo dos últimos 12 anos, destacando a reorganização fiscal, a ampliação da rede hospitalar, os investimentos em rodovias, os programas sociais e a melhoria da capacidade de investimento do Estado.

Segundo o secretário, o governo realizou 2.150 entregas de obras e políticas públicas nos últimos quatro anos e ainda tinha outras intervenções previstas até o encerramento da gestão. Os números foram apresentados por ele durante a entrevista.

Vitor reconheceu, no entanto, que as realizações administrativas não garantem, necessariamente, o apoio dos eleitores. Na avaliação dele, é preciso compreender melhor as demandas da população e encontrar formas mais eficientes de apresentar os resultados das políticas públicas.

Oposição e eleições de 2028

O secretário também afirmou que o grupo político de Renan Filho e Paulo Dantas deverá continuar participando das disputas eleitorais em Alagoas, mesmo depois de deixar o comando do governo estadual. Ele prevê uma disputa pela Prefeitura de Maceió em 2028 envolvendo o grupo ligado a JHC e Rodrigo Cunha, representantes da direita bolsonarista e candidaturas do campo de centro-esquerda.

“Não tenha dúvida, nós teremos disputa em 2028”, afirmou. Vitor considera que o desempenho do novo governo e a reorganização dos partidos serão importantes para definir os próximos movimentos políticos. Também acredita que PT, MDB e PSD poderão manter articulações no campo de oposição.

Antes disso, porém, o secretário entende que o grupo precisa avaliar o resultado de 2026, especialmente na capital. Para ele, a principal tarefa é compreender por que os investimentos realizados em Maceió não foram suficientes para produzir uma vitória eleitoral. E isso exige mais do que revisar a comunicação. “Está faltando a gente escutar essas pessoas”, resumiu.