Carlos Bolsonaro aposta em virada de Flávio em Alagoas e cita mobilização de Arthur Lira e prefeitos
Senador eleito participou de encontro com apoiadores em Maceió, destacou o avanço da direita no Nordeste e negou que candidatura do irmão represente projeto de dinastia familiar
O senador eleito por Santa Catarina Carlos Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira (22), que acredita na possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) reverter a vantagem obtida pelo presidente Lula (PT) no primeiro turno em Alagoas. Durante encontro com apoiadores no Hotel Ritz Lagoa da Anta, em Maceió, ele citou a mobilização de prefeitos ligados ao senador eleito Arthur Lira, a atuação do deputado estadual eleito Leonardo Dias e o crescimento dos movimentos de rua da direita.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

“Eu não tenho dúvida nenhuma”, respondeu Carlos ao ser questionado sobre a possibilidade de Flávio vencer no estado. Segundo ele, lideranças municipais estão trabalhando para ampliar a presença da campanha no interior.
Leia também
“Os prefeitos aqui, inclusive ligados ao Arthur Lira, têm feito movimentos fantásticos, excepcionais, trazendo a verdade para que o povo entenda realmente o que está acontecendo”, declarou.
A virada defendida por Carlos exigiria uma mudança significativa no mapa eleitoral de Alagoas. No primeiro turno, Lula venceu em 86 dos 102 municípios alagoanos, enquanto Flávio ficou à frente em 16. No resultado estadual, Lula recebeu 995.459 votos, equivalentes a 54,73% dos válidos. Flávio somou 735.718 votos, ou 40,45%. A diferença entre os dois foi de 259.741 votos.


CNBB pede ‘compromisso com a democracia’ e que fiéis avaliem candidatos

Presidente do PT em Alagoas crê na virada de Lula na reta final da Eleição

Proposta que estabelece emendas impositivas de bancada avança na ALE

Soldado que fugiu do quartel com fuzil e munições se entrega sem armamento
A principal força de Flávio no estado veio de Maceió. Na capital, o candidato do PL alcançou 259.789 votos, ou 52,36%, contra 203.850 de Lula, correspondente a 41,09%. A vantagem do candidato da direita entre os maceioenses foi de 55.939 votos.
As outras vitórias de Flávio ficaram concentradas principalmente no Litoral Norte, na Região Metropolitana e em cidades do Litoral Sul. Lula, por sua vez, predominou no Sertão, no Agreste e na Bacia Leiteira.
Carlos afirmou que a campanha busca transformar os apoios políticos e as mobilizações populares em votos no segundo turno. Ele também destacou a interlocução mantida com Leonardo Dias sobre as demandas de Alagoas. “Muitas vezes, o que o Léo traz para a gente, a gente leva para o Flávio. O Leonardo Dias é uma voz aqui em Alagoas e uma voz no Nordeste que tenho certeza de que será amplificada”, disse.
Mobilização nas ruas
Ao analisar o desempenho da campanha no segundo turno, Carlos afirmou que a direita demorou a ampliar a presença nas ruas. Segundo ele, uma mobilização organizada anteriormente poderia ter levado Flávio à vitória já na primeira etapa da disputa presidencial.
“Se esse movimento coordenado de alguns atores políticos tivesse sido feito anteriormente, eu creio que nós venceríamos no primeiro turno”, declarou.
Para Carlos, os atos realizados em vários estados são impulsionados também por pessoas que não ocupam cargos políticos. Ele mencionou as mobilizações registradas em Arapiraca e em outras cidades como exemplos de participação espontânea dos apoiadores.
Nordeste e programas sociais
Carlos também defendeu uma política para o Nordeste que combine a manutenção da assistência estatal com oportunidades para que as famílias conquistem independência financeira. “Não é ajudar só com assistencialismo. É ajudar ensinando o povo a pescar e fazendo com que o povo se liberte do Estado e se torne cada vez mais independente”, afirmou.
O senador eleito ressaltou, no entanto, que não considera desnecessário o apoio do poder público. Segundo ele, a proposta defendida pela chapa é utilizar os programas sociais como ponto de partida para a geração de renda e a ampliação da autonomia das famílias.
Dinastia familiar
Questionado se a candidatura de Flávio representaria um projeto da família Bolsonaro para permanecer no poder, Carlos rejeitou a ideia de construção de uma dinastia política. Ele citou Nikolas Ferreira, André Fernandes e Leonardo Dias como lideranças que cresceram dentro do campo político da direita e afirmou que o movimento poderá, no futuro, ser comandado por alguém que não pertença à família Bolsonaro.
“Se for a vontade do povo e de um projeto político que seja outra pessoa, que não seja Bolsonaro, de maneira nenhuma isso foi ou é um intuito de uma dinastia, de poder por poder”, declarou.
Carlos também comparou a sucessão política nos dois campos e acusou Lula de centralizar o comando de seu grupo. Na avaliação dele, Jair Bolsonaro ajudou a formar lideranças capazes de manter o movimento político mesmo sem a presença de integrantes da família.
Após o encontro no hotel, Carlos Bolsonaro seguiu para participar do Bloco do 22, na orla de Maceió, ao lado do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar e de lideranças da direita alagoana. A caminhada saiu do Corredor Vera Arruda, na Jatiúca, com destino ao Marco dos Corais, na Ponta Verde.
