Afundamento do solo: 2 mil imóveis em Maceió passam por novas vistorias após oito anos de rachaduras
Inspeções ocorrem a cada 6 meses e buscam identificar possíveis mudanças nas estruturas e no terreno de áreas próximas.
Oito anos após o surgimento das primeiras rachaduras no bairro do Pinheiro, em Maceió, imóveis localizados nas áreas próximas à região afetada pelo afundamento do solo passam por novas vistorias técnicas. A previsão é de que aproximadamente 2.093 imóveis recebam inspeções nesta etapa, com o objetivo de acompanhar as condições das estruturas e identificar possíveis sinais de avanço da subsidência, fenômeno associado à extração de sal-gema pela Braskem.
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O trabalho é conduzido pelo Comitê de Acompanhamento Técnico, que reúne representantes da Defesa Civil de Maceió, da Defesa Civil Nacional, do Serviço Geológico do Brasil, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e de outras instituições.
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As equipes foram divididas em sete frentes para cobrir as áreas adjacentes ao Mapa de Ações Prioritárias, na versão 5. A atuação abrange diferentes trechos, desde a região do Flexal até o Bom Parto, conforme a divisão estabelecida pelos técnicos.
As inspeções ocorrem periodicamente, a cada seis meses. Durante as visitas, os profissionais avaliam as condições físicas dos imóveis e observam o solo no entorno das edificações. Entre os sinais procurados estão rachaduras, fissuras e deformações que possam indicar alterações estruturais.


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O trabalho envolve profissionais de diferentes áreas. Técnicos da engenharia utilizam instrumentos, como o fissurômetro, para avaliar as fissuras e verificar se as características dos danos são compatíveis com possíveis movimentações do solo.
Já os especialistas em geologia e outras geociências analisam a dinâmica do terreno. O cruzamento dessas informações permite comparar os resultados das vistorias ao longo do tempo e verificar se existem indícios de avanço da subsidência para áreas vizinhas.
Esta etapa integra o 12º trabalho de campo, cujo relatório técnico está em elaboração. A comparação entre os dados coletados em diferentes períodos é fundamental para identificar eventuais mudanças nas condições dos imóveis e do terreno.
A realização das inspeções não significa, por si só, que houve avanço do afundamento do solo. O objetivo é justamente reunir evidências técnicas para avaliar a situação das áreas monitoradas.
Moradores acompanham as vistorias
A Casa de Holanda, um dos imóveis da região que não foi atingido diretamente pela mineração, também já recebeu inspeções anteriores. Para quem vive no local, o acompanhamento ajuda a diferenciar possíveis danos relacionados à movimentação do terreno de problemas decorrentes do desgaste natural da construção.
A moradora avalia que as visitas dos técnicos oferecem mais segurança, pois permitem identificar alterações que nem sempre são percebidas no dia a dia.
A orientação do Comitê de Acompanhamento Técnico é que os moradores permitam a entrada das equipes nos imóveis. O acesso facilita a comparação entre as condições atuais e os registros de inspeções anteriores.
Quando os técnicos conseguem avaliar a mesma estrutura em diferentes períodos, podem verificar se houve evolução de rachaduras ou o aparecimento de novos sinais que mereçam investigação.
Entenda o afundamento do solo em Maceió
O problema veio à tona em 2018, quando moradores do Pinheiro identificaram rachaduras em imóveis e ruas. Na sequência, outros bairros, como Mutange, Bebedouro, Bom Parto e áreas do Farol, também foram associados aos impactos da instabilidade do solo provocada pela mineração de sal-gema.
O fenômeno levou à retirada de milhares de moradores de áreas consideradas de risco e à ampliação do monitoramento em regiões próximas. Em novembro de 2023, a Defesa Civil anunciou uma atualização do Mapa de Ações Prioritárias, que incluiu o Bom Parto na área de risco e reforçou a necessidade de acompanhamento técnico.
As novas vistorias buscam ampliar o conhecimento sobre as condições das áreas vizinhas e subsidiar decisões dos órgãos responsáveis. A continuidade do monitoramento permite reunir informações sobre o comportamento do terreno e das edificações ao longo do tempo.
