Lesões na cabeça, tronco e fígado: legista detalha em júri morte de Rhavy
Aos jurados, médico disse que a necropsia identificou múltiplos ferimentos provocados por instrumento contundente no corpo do menino de 2 anos

O médico-legista Marcos Braga Xavier detalhou, nesta segunda-feira (19), as lesões identificadas no corpo de Rhavy Abraão Alves de Lima, de 2 anos, durante o julgamento dos dois acusados pela morte da criança. Em depoimento no Fórum da Capital, em Maceió, ele apontou sinais de violência na cabeça e no tronco da vítima, além de uma lesão traumática no fígado.
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A sessão é conduzida pelo juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal, e tem como réus Nicole Maria de Lima Braga, mãe da criança, e Manoel Pedro Tavares de Souza, companheiro dela. O menino foi encontrado morto em uma residência na região de Garça Torta, na capital alagoana.
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Primeira testemunha ouvida no júri, o médico-legista Marcos Braga Xavier confirmou ao juiz que se recordava das conclusões registradas no laudo pericial. Segundo ele, os sinais de violência já eram perceptíveis durante o exame externo do corpo e foram confirmados pelos exames internos.
“Externamente já havia alguns sinais de violência. A violência era visível, o que foi confirmado com os exames internos. Havia lesões na cabeça e no tronco também”, afirmou o médico, conforme o relato apresentado durante o julgamento.


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Lesão no fígado e hipótese de queda
Ao responder aos questionamentos, o legista explicou que a lesão no fígado foi provocada por um trauma causado por instrumento contundente. Ele ressaltou que não foi possível determinar qual objeto ou meio específico provocou os ferimentos.
Como exemplos de instrumentos contundentes, o médico citou as mãos e o impacto contra superfícies, entre outras possibilidades.
Questionado sobre a hipótese de uma queda da própria altura ter provocado as lesões, o legista considerou essa possibilidade pouco provável, diante das características dos ferimentos. "A distribuição das lesões em diferentes regiões do corpo, especialmente a gravidade do trauma abdominal, não seria compatível com uma queda dessa natureza."

O depoimento também apontou a presença de equimoses, marcas provocadas por sangramento sob a pele. De acordo com o médico, as características observadas indicavam que os ferimentos eram recentes.
"Não era possível estabelecer um horário preciso da morte. No entanto, conforme os achados periciais, o óbito havia ocorrido menos de 24 horas antes do exame. A conclusão do laudo apontou que a morte foi provocada por múltiplas lesões causadas por instrumento contundente", destacou Marcos Braga.
Homicídio qualificado
Nicole Maria de Lima Braga responde ao processo em liberdade, enquanto Manoel Pedro Tavares de Souza está preso. Os dois são acusados de homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima e crime contra menor de 14 anos. A acusação também aponta o emprego de meio cruel.
As qualificadoras integram a acusação apresentada à Justiça e serão analisadas no julgamento. Cabe aos jurados avaliar as provas produzidas em plenário e decidir sobre a responsabilidade criminal dos réus.
