Prisão de Márcio Canella: esquema movimentou R$ 7,6 bi em seis anos, diz PF
Apuração aponta uso de empresas do setor de combustíveis para lavar dinheiro e ocultar patrimônio; agentes estiveram em mansões ligadas a políticos, servidores públicos e empresários em Niterói, Itaipava e Angra dos Reis

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (15) a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. Segundo a PF, o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.
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Seis pessoas foram presas: Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo; Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ; e os policiais civis Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, José Carlos Alves de Souza Júnior, o atual secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo, Christiano Gaspar Fernandes e o irmão Giovanni Gaspar Fernandes.
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A PF aponta Canella como um dos articuladores políticos do grupo e suspeita que a estrutura empresarial era usada para ocultar a origem dos recursos e o patrimônio dos envolvidos.
Nesta fase, os agentes fizeram buscas em mansões ligadas a um investigado em Niterói, Itaipava, na Região Serrana, e Angra dos Reis, na Costa Verde.


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Uma das propriedades, que seria do inspetor da Polícia Civil José Carlos Alves de Souza Júnior, está avaliada em R$ 22 milhões. Nesta cobertura de alto padrão também foram apreendidos R$ 40 mil em espécie, que estavam guardados em uma adega. Carros de luxo também foram recolhidos e encaminhados para a sede da Polícia Federal no Rio.

Em uma etapa anterior da operação foram apreendidos relógios de alto valor, veículos de luxo, motocicletas, armas e munições em endereços ligados a Canella.
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, a organização usava uma rede de empresas, principalmente do setor de combustíveis, para movimentar dinheiro e dificultar o rastreamento dos recursos. Parte dos negócios estaria registrada em nome de terceiros, prática que, de acordo com a PF, ajudaria a esconder os verdadeiros responsáveis pelas empresas e os beneficiários dos valores.
A Justiça determinou a suspensão das atividades de 112 empresas, das quais 96 são postos de combustíveis, além do sequestro de bens e valores. Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, entre outros, conforme a participação de cada um
A investigação teve como base, entre outros elementos, relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). As suspeitas ainda são apuradas pela Polícia Federal.
O que dizem as defesas
Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que participa da operação, em apoio à Polícia Federal, e não compactua com qualquer desvio de conduta. Veja:
"A Polícia Civil não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades.
A instituição mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle, respeitando as atribuições de cada instituição, para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível."
Procurado pela reportagem, o advogado Thiago Minagé informou que aguarda acesso ao cliente Marcus Amim e à decisão judicial para prestar os devidos esclarecimentos.
O advogado Ubiratan Guedes, que representa os irmãos e policiais civis Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes, também afirmou que aguarda conseguir contato com os clientes.
A CNN Brasil aguarda um posicionamento do deputado estadual Márcio Canella e dos demais citados nas investigações. O espaço permanece aberto para manifestações.
