
A vitória de JHC para o governo de Alagoas pode provocar uma mudança no mapa partidário dos municípios. O MDB, que elegeu 65 dos 102 prefeitos alagoanos em 2024, corre o risco de perder parte dessa base antes mesmo da posse do novo governador, marcada para janeiro de 2027.
O movimento foi antecipado por Arthur Lira durante a campanha eleitoral. Em entrevista à Rádio Nova Brasil, no dia 17 de setembro, o então candidato ao Senado afirmou que a eleição de JHC levaria a uma migração de prefeitos para o PSDB.
"Se JHC ganhar a eleição para governador, ele é do PSDB, pode ter certeza que a maioria dos prefeitos do estado de Alagoas vão para o PSDB", declarou Lira.
A previsão foi acompanhada de uma análise sobre o comportamento dos partidos em Alagoas. Lira lembrou que mudanças semelhantes ocorreram durante os governos de Teotônio Vilela Filho e Ronaldo Lessa e também com o fortalecimento do MDB nos últimos anos.
"Então isso é uma coisa normal da política, do movimento estadual, da proximidade, da necessidade dos municípios de conectarem mais e como não há proibição de fidelidade partidária em cargos majoritários, esse fluxo varia muito", disse Lira.
O argumento é conhecido. Prefeitos precisam manter relações com o governo estadual, especialmente para viabilizar obras, investimentos e programas em seus municípios.
O tamanho do MDB
O MDB venceu as eleições municipais de 2024 com 65 prefeituras, a maior bancada de gestores municipais do Estado. O PP ficou em segundo lugar, com 27 prefeitos. Depois da eleição, o partido ainda contou com a filiação de prefeitos eleitos por outras legendas, incluindo os que haviam disputado o pleito pelo PT.
A concentração de prefeitos no MDB foi uma das principais apostas do grupo liderado por Renan Calheiros, Renan Filho e Paulo Dantas para a eleição estadual deste ano. Mas não foi suficiente para assegurar a continuidade do partido no governo. JHC venceu Renan Filho no primeiro turno e abriu caminho para uma mudança nas alianças municipais.
É nesse ambiente que o PSDB deverá atrair prefeitos atualmente filiados ao MDB, especialmente aqueles que participaram de forma menos intensa da campanha de Renan Filho ou que já mantêm relações com integrantes do grupo vencedor.
Para onde irão os prefeitos?
O PSDB aparece como destino natural de parte dos gestores interessados em se aproximar do governador eleito. Mas não será necessariamente o único caminho. Prefeitos que deixaram outras legendas para ingressar no MDB poderão avaliar o retorno aos antigos partidos.
O PP é uma dessas possibilidades, principalmente pela influência de Arthur Lira, que foi eleito para o Senado. Outra possibilidade é o PL, especialmente em caso de vitória de Flávio Bolsonaro. O candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar Já recebeu apoio de mais de 20 prefeitos e alguns deles podem migrar para o partido, de olho na própria reeleição ou eleição de um sucessor.
Outro partido que pode receber prefeitos mais próximos de Paulo Dantas é o PSD. O partido é coordenado políticamente pelo governador e alguns dos seus aliados nas prefeituras que não quiserem continaur no MDB pode optar por migrar para a legenda.
Há também prefeitos que deverão permanecer no MDB, seja pela relação histórica com os Calheiros, seja pela força das lideranças regionais do partido. A tendência de migração, portanto, não significa um esvaziamento completo do MDB. O partido continuará com representação importante na Assembleia Legislativa, além de dois deputados federais eleitos, Rafael Brito e Isnaldo Bulhões Júnior e um senador, Renan Filho.