
O primeiro tempo teve mais finalizações. O segundo teve mais gols. Parece uma conclusão simples, mas os números ajudam a explicar por que o CRB venceu o Atlético-GO por 3 a 1.
Na etapa inicial, foram 13 finalizações, oito de fora da área. No segundo tempo, apenas sete tentativas, mas cinco de dentro da área. Menos volume, mais presença nas zonas de definição.
E existe outro indicador interessante. O Atlético-GO venceu 61% dos duelos no primeiro tempo. Depois do intervalo, o CRB inverteu esse comportamento e passou a ganhar 57%.
Mas o futebol não se explica apenas pelos números. Os detalhes também contam histórias.
No primeiro gol, Crystopher mostrou novamente por que é um dos grandes personagens desta Série B. Um passe milimétrico, daqueles que exigem visão periférica, percepção do espaço e precisão na execução. Encontrou Hereda infiltrando pelo corredor central, entre os defensores. O lateral entendeu o movimento, o meia enxergou a oportunidade e a jogada terminou na rede.
No segundo, a bola parada voltou a mostrar sua importância. Dadá levantou, Lovat desviou e Lyncon aproveitou a sobra.

O terceiro teve um significado especial. Mikael, que atravessava seu maior jejum de gols nesta Série B, voltou a marcar depois de cinco partidas. Converteu o pênalti, chegou aos 17 gols na competição e recuperou a artilharia isolada naquele momento.
Para um centroavante, voltar a marcar não representa apenas melhorar uma estatística. É reencontrar aquilo que alimenta sua confiança.
A vitória também teve um significado que ultrapassa os três pontos.

No primeiro turno, o CRB abriu 3 a 0 sobre o mesmo adversário e permitiu o empate. Desta vez, voltou a construir três gols de vantagem e terminou comemorando uma vitória fundamental.
A diferença para o G-6 caiu de quatro pontos para apenas um. Restam seis rodadas.
O Rei Pelé continua sendo uma fortaleza sob o comando de Fábio Matias. Mas agora vem o Fortaleza, fora de casa, em outro confronto que pode aproximar o CRB do acesso.
E fica uma reflexão que considero fundamental nesta reta final:
O CRB já demonstrou que tem futebol para disputar o acesso. O desafio agora é provar que esse futebol também consegue viajar.