Mulher é mãe aos 44 após transplante de ovários congelados por 23 anos
Tecido preservado antes do tratamento contra câncer voltou a funcionar após 23 anos e permitiu gravidez

Kassandra Bacon tinha 18 anos e estava perto de completar 19 quando recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, em 2001. Diante da necessidade de tratar o câncer, ela insistiu para que os médicos também tentassem preservar sua possibilidade de ter filhos. Aos 44 anos, tornou-se mãe após receber um transplante de tecido ovariano que permaneceu congelado por 23 anos.
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O filho, Landon David Bacon, nasceu em 9 de setembro de 2026. Entre o diagnóstico e a maternidade, Kassandra enfrentou o retorno do câncer, a perda da função dos ovários e diversas dificuldades para encontrar uma equipe disposta a realizar o procedimento.
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Uma possibilidade preservada antes do tratamento
Segundo o relato publicado em suas redes sociais, Kassandra conseguiu realizar a retirada de pequenas amostras de tecido ovariano no Hospital Addenbrooke’s, em Cambridge, no Reino Unido. O material continha óvulos imaturos e foi congelado para uma possível utilização no futuro.


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A proposta era conservar o tecido antes que o tratamento contra o câncer comprometesse sua função. Anos depois, os fragmentos poderiam ser transplantados de volta ao corpo, na tentativa de recuperar a atividade dos ovários. Na época, porém, a técnica ainda era experimental, sem garantia de que permitiria uma gravidez.
Numa campanha de arrecadação criada através do site GoFundMe, a ginecologista Sara Matthews, que participou do atendimento, relata que o câncer voltou menos de dois anos após o diagnóstico inicial. Kassandra precisou de quimioterapia em altas doses e de um transplante de medula óssea. O tratamento controlou a doença, mas comprometeu sua função ovariana.
Anos de espera por uma cirurgia
Quando decidiu formar uma família com o companheiro, já na faixa dos 30 anos, Kassandra descobriu que havia entrado na menopausa precocemente. O tecido armazenado passou a representar sua possibilidade de ter um filho biológico.
Conseguir o transplante, no entanto, exigiu uma longa busca. Ela procurou especialistas no Reino Unido e na Bélgica, mas encontrou obstáculos relacionados à documentação das amostras, congeladas antes da introdução de regras britânicas sobre o armazenamento de tecidos.
A alternativa surgiu com um médico em Israel, que aceitou realizar a cirurgia. O material foi transportado de Cambridge, onde permanecia armazenado. Em maio de 2024, Kassandra finalmente viajou para Israel e recebeu o transplante.
Como o tratamento permitiu a gravidez
Meses depois da cirurgia, Kassandra voltou a menstruar, um sinal de recuperação da atividade ovariana. Para engravidar, ainda precisou de tratamento de reprodução assistida. O caminho até a maternidade envolveu três etapas principais:
Preservação: pequenas amostras de tecido ovariano, contendo óvulos imaturos, foram retiradas e congeladas.
Transplante: após 23 anos de armazenamento, os fragmentos foram reimplantados para tentar recuperar a função dos ovários.
Fertilização in vitro: com a atividade ovariana restabelecida, Kassandra passou por três ciclos do tratamento para conseguir a gestação.
Segundo Matthews, o teste positivo veio após a transferência do segundo embrião, no Natal de 2025. A gravidez transcorreu sem complicações, e mãe e bebê estão bem.
A trajetória também trouxe despesas com transporte do tecido, cirurgia, viagens, medicamentos e reprodução assistida. Uma campanha de arrecadação foi organizada para ajudar a cobrir esses custos.
Após mais de duas décadas entre a preservação do material e o nascimento, Kassandra pôde realizar o desejo que a levou a insistir no procedimento ainda na juventude.
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