Caso Lito Sousa: por que a morte de uma pessoa pública pode causar luto?
Psicóloga oncologista e paliativista explica como é possível viver o luto pela morte de uma pessoa pública

Lito Sousa morreu aos 59 anos nessa quinta-feira (1º/10). Para muitas pessoas, a notícia da morte do influenciador, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob há cerca de dois meses, provocou uma reação que pode parecer difícil de explicar: tristeza, choro e sensação de vazio. Afinal, dá para sentir luto por alguém que, na realidade, nunca conheceu pessoalmente?
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De acordo com a psicóloga oncologista e paliativista Wlliane Flores Moreira, é possível viver o luto pela morte de uma pessoa com quem nunca se teve uma relação presencial. Isso porque o vínculo não depende necessariamente da convivência física para existir.
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“Quando acompanhamos alguém durante anos, ouvimos sua voz, conhecemos seus pensamentos, esperamos pelos seus conteúdos e incorporamos aquela presença à nossa rotina, aquela pessoa passa a ocupar um espaço na nossa vida. A morte interrompe essa presença e pode provocar uma reação genuína de perda.”
A especialista em luto explica que um influenciador pode estar presente diariamente na rotina de alguém por meio de vídeos, podcasts, stories e publicações. Por isso, a presença pode se tornar familiar.


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“As redes sociais mudaram a maneira como nos relacionamos com pessoas que não fazem parte do nosso círculo íntimo. Não é necessário que exista intimidade nos moldes tradicionais para que alguém tenha significado emocional para nós. Uma pessoa pode nunca ter sabido que determinado seguidor existia e, ainda assim, ter ocupado um espaço importante na vida dele”, afirma.
“Eu nem conhecia, mas estou sofrendo”
Segundo a psicóloga, a frase “eu nem conhecia, mas estou sofrendo” não deve ser entendida como exagero. A intensidade da reação pode estar relacionada não apenas à pessoa que morreu, mas também ao que ela representava para quem a acompanhava
A morte de uma personalidade pública pode ainda despertar sentimentos relacionados a outras perdas, diz Wlliane Flores.
Às vezes, a morte de alguém que acompanhávamos pelas redes toca em uma perda que já vivemos ou em um medo que carregamos. Aquela pessoa pode ser o ponto de contato com sentimentos que já estavam dentro de nós.
Wlliane Flores Moreira, psicóloga
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