Testemunha diz que motorista estava 'cambaleando' após acidente que matou 2 na Fernandes Lima
Policial militar relatou em júri que viu o condutor sair do veículo depois de colisão que matou Pedro Alves de Souza Júnior e José Cícero da Silva

O julgamento de Sérgio Praxedes dos Santos Filho começou nesta segunda-feira (28), em Maceió, pelo acidente ocorrido em julho de 2021, na Avenida Fernandes Lima, bairro do Farol, que matou dois homens e deixou uma mulher com sequelas físicas. Durante a sessão, uma policial militar que esteve no local relatou ter visto o motorista sair do veículo e afirmou que ele estava “cambaleando”.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Antes do depoimento da testemunha, Quitéria Gonçalves Amorim - que sobreviveu ao acidente - prestou depoimento por videoconferência. Emocionada, ela falou sobre o marido, José Cícero da Silva.
Leia também
“José Cícero era uma pessoa boa, um marido, um pai e um filho maravilhoso. Um batalhador, um grande trabalhador, uma pessoa amiga”, afirmou.
Quitéria atualmente mora em Minas Gerais com um dos filhos. Na época do acidente, ela trabalhava como empregada doméstica e relatou que ficou com sequelas após a colisão, o que a impediu de continuar trabalhando e de se aposentar.


Pedido cancelado mobiliza entregadores em frente a condomínio na Ponta Verde

Avó e neto são presos após mãe e bebê serem mantidas em cárcere

Recém-nascido é encontrado carbonizado no DF; polícia busca suspeitos

Aos 80 anos, Lula brinca em Maceió: “Decidi que vou viver até os 120”
A irmã de Quitéria também prestou depoimento e foi questionada se o acusado havia arcado com o tratamento de Quitéria. Porém, respondeu que não e disse que, pelo que sabia, o tratamento havia sido feito pelo SUS.
PM viu acusado cambaleando
A testemunha policial militar Rosirene Cristina contou que seguia pela avenida com o marido quando percebeu um veículo branco, identificado por ela como um Jeep Renegade, trafegando na contramão. Segundo o relato, o marido conseguiu desviar para a faixa da direita para evitar a colisão.
“Íamos descendo e, nas imediações do Tribunal de Contas do Estado, tinha um veículo grande que vinha na contramão. Meu esposo disse: ‘Meu Deus, que loucura, vem um carro na contramão’. Meu marido conseguiu puxar para a faixa da direita e se livrar, aí ouvi o barulho de quando ele bateu”, relatou.

Rosirene afirmou ainda que o motociclista que seguia à frente foi arremessado para longe após a colisão. Segundo ela, o motorista saiu do carro e populares tentaram agredi-lo, mas policiais do Tribunal de Contas impediram a ação até a chegada da guarnição.
Questionada pelo Ministério Público sobre o estado do condutor, a policial afirmou: “Ele estava cambaleando”. A testemunha também disse que permaneceu no local até a chegada da guarnição e saiu antes do atendimento do Samu.
Outro depoente, Murilo Lourenço, que trabalha como ambulante nas proximidades, afirmou ter visto o veículo sair da rua de um posto de gasolina e entrar na contramão. Segundo ele, as pessoas ficaram surpresas com a situação e, pouco depois, ouviram o barulho da colisão.
“Eu trabalho próximo, chego logo cedinho, sou ambulante. O carro saiu da rua do posto de gasolina e pegou a contramão, todo mundo ficou pasmo, e perguntaram: ‘Esse cara vai pra onde?’. Aí escutamos o estouro e disseram que ele pegou duas motos”, relatou.
A testemunha Leonardo Ferreira também afirmou ter visto o acidente. Ele contou que estava em seu estabelecimento quando percebeu o veículo trafegando na contramão e tentou alertar o motorista.
“Eu vi o acidente, tenho um caldo de cana, estava com um cliente, aí o rapaz veio na contramão e eu comecei a acenar dizendo: ‘Pare, é contramão’. Mas não teve jeito”, disse.
Leonardo afirmou que um carro conseguiu desviar, mas, logo depois, ocorreu a colisão. Ele relatou ainda que viu uma das vítimas ser arremessada e cair já sem vida próximo ao estabelecimento.
Segundo o depoente, o motorista saiu do veículo “atordoado” e populares começaram a se reunir no local. Um policial do Tribunal de Contas, conforme o relato, interveio para impedir que o condutor fosse agredido.
Leonardo também afirmou ter visto dentro do carro uma garrafa verde, que, segundo ele, “seria de cerveja”.
O acidente ocorreu em 23 de julho de 2021, na Avenida Fernandes Lima, no bairro Farol. Pedro Alves de Souza Júnior morreu no local. José Cícero da Silva também morreu após ser socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE). Quitéria Gonçalves Amorim, que estava na motocicleta com José Cícero, sobreviveu e ficou com sequelas físicas.
O júri continua nesta segunda-feira (28) e tem previsão de término no fim da tarde.
