Amnésia da gravidez pode ter base biológica e ligação com hormônio
Estudo aponta que altos níveis de estrogênio afetam circuito cerebral e podem explicar falhas de memória

Esquecer tarefas simples, perder objetos ou ter dificuldade de concentração são queixas frequentes durante a gravidez. Um novo estudo indica que essas mudanças têm uma explicação biológica ligada à ação de hormônios no cérebro.
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A pesquisa, conduzida por cientistas do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, identificou um circuito cerebral afetado por altos níveis de estrogênio, comuns na gestação. Os resultados foram publicados em 25 de agosto na revista Science Bulletin.
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Como o hormônio atua no cérebro
Os pesquisadores usaram modelos animais para reproduzir níveis elevados e contínuos de estrogênio. Nessa condição, observaram alterações específicas na memória, sem mudanças no humor ou na motivação.


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A análise mostrou que o estrogênio interfere na atividade de neurônios localizados no hipotálamo, uma região do cérebro ligada a funções hormonais. Essas células passam a enviar sinais com mais frequência e influenciam diretamente o hipocampo, área associada à formação de memórias.
Quando os cientistas bloquearam a ação do estrogênio nesses neurônios, as falhas de memória desapareceram. O mesmo ocorreu quando a comunicação entre hipotálamo e hipocampo foi interrompida. Por outro lado, a ativação dessa via foi suficiente para prejudicar a memória, mesmo sem níveis elevados do hormônio.
Diferença depende da quantidade e do local
Os resultados ajudam a entender por que o estrogênio pode ter efeitos diferentes no cérebro. Em alguns contextos, como na reposição hormonal após a menopausa, ele já foi associado a melhora cognitiva.
O estudo sugere que o efeito depende da quantidade do hormônio e da região do cérebro onde ele atua. Níveis mais baixos e variações ao longo do tempo tendem a favorecer a função cognitiva, enquanto níveis altos e contínuos ativam um circuito diferente, ligado às falhas de memória.
Evidências também em mulheres
Para verificar se o mecanismo também ocorre em humanos, os pesquisadores avaliaram mulheres em diferentes fases da gravidez. Eles identificaram alterações específicas de memória no fim da gestação, associadas aos níveis de estrogênio.
Segundo os autores, essas mudanças são temporárias e não indicam perda cognitiva mais generalizada. A hipótese é que o fenômeno esteja ligado a adaptações do organismo durante a gravidez.
Os resultados ajudam a explicar relatos comuns entre gestantes e indicam um caminho para futuras pesquisas sobre como hormônios influenciam o funcionamento do cérebro.
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