Polícia Civil apura se policial desligou câmera antes de disparo que matou mulher no Jacintinho
Equipamento pessoal do policial foi apreendido e será periciado para esclarecer quando e se houve o desligamento
A Polícia Civil de Alagoas investiga a informação de que o policial militar que atirou e matou a comerciante Amanda Ruane Lopes da Silva, de 32 anos, teria desligado uma câmera que estava presa ao colete antes de efetuar o disparo. O equipamento foi apreendido e será analisado durante a investigação sobre a morte da mulher, ocorrida no último sábado (5), no bairro do Jacintinho, em Maceió.
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O caso está sendo investigado por uma comissão formada por delegados da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) e da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A comissão foi determinada pelo delegado-geral da Polícia Civil com o objetivo de dar celeridade à apuração.
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Segundo o delegado Igor Diego, da Dracco, a câmera que estava com o policial não era uma bodycam fornecida institucionalmente pela Polícia Militar. Conforme o delegado, o equipamento pertencia pessoalmente ao agente. A câmera foi apreendida e deverá passar por perícia para esclarecer se houve desligamento e em que momento isso ocorreu.
“Há também informação de que o policial estava com uma câmera em seu colete e que ele teria desligado essa câmera antes de efetuar o disparo. Essa câmera também foi apreendida. Foi verificado que essa câmera é pessoal do policial. Não existe uma bodycam fornecida pela Polícia Militar do Estado de Alagoas”, explicou o delegado Igor Diego.


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Além da câmera, a arma utilizada pelo policial no disparo também foi apreendida e será encaminhada ao Instituto de Criminalística para perícia.
A Polícia Civil também realizou perícia no local onde ocorreu a abordagem e trabalha na coleta de imagens de câmeras de segurança de imóveis da região. De acordo com o delegado, os investigadores analisam ainda imagens feitas por pessoas que estavam nas proximidades.
A apuração busca esclarecer as circunstâncias do disparo que atingiu Amanda. Segundo Igor Diego, existem versões conflitantes sobre o que aconteceu no momento da abordagem. Uma das questões investigadas é se a mulher teria avançado contra o policial e tentado retirar a arma dele ou se foi atingida sem ter feito esse movimento.
“O que o inquérito policial está tentando esclarecer para a população nesse momento é essa situação: foi dentro da legalidade, agiu dentro dos parâmetros legais ou houve um excesso?”, explicou o delegado.
A ocorrência, inicialmente encaminhada à Dracco, envolve uma abordagem que, segundo a polícia, havia sido motivada por uma denúncia de tráfico de drogas e porte de armas na região. Ainda conforme o delegado, todos os policiais que participaram da ocorrência já foram ouvidos. As outras mulheres que estavam no local e familiares de Amanda também devem prestar depoimento.
A forma como Amanda foi socorrida e retirada do local também está sendo apurada. A Polícia Civil informou que busca imagens e depoimentos para esclarecer as condições em que a mulher foi retirada da área da ocorrência e verificar se ela ainda estava com vida naquele momento.
O inquérito tem prazo legal de 30 dias para ser concluído, mas a Polícia Civil afirma que pretende finalizar a apuração antes desse período. Após a conclusão, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que poderá concordar com as conclusões da investigação ou solicitar novas diligências.
Versão da Polícia Militar
Segundo a Polícia Militar, a ocorrência no bairro do Jacintinho, na noite de sábado (5), foi atendida pelo 13º Batalhão da Polícia Militar.
De acordo com a corporação, o batalhão foi até a Aldeia do Índio para verificar uma denúncia de tráfico de drogas por um grupo de homens em via pública e que um dos suspeitos estaria armado. Na versão policial, durante a intervenção, o motorista da viatura se deparou com uma aglomeração de pessoas, que teriam avançado em direção a ele.
A PM afirmou que Amanda tentou ultrapassar o perímetro de segurança estabelecido enquanto discutia com o motorista da viatura.
“Em seguida, a mulher avançou em direção ao militar, empurrando-o e tentando pegar a arma dele. O policial, diante da ameaça à integridade física de todos e da aglomeração de pessoas ao redor, reagiu e efetuou um único disparo”, afirmou a PM.
