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Técnica que preservou pinturas rupestres de 12 mil anos no Piauí utilizava uma mistura de vermelho-sangue e resina de jatobá

Parque Nacional da Serra da Capivara contém pistas sobre o cotidiano de povos milenares


				Técnica que preservou pinturas rupestres de 12 mil anos no Piauí utilizava uma mistura de vermelho-sangue e resina de jatobá
Foto: Reprodução/Wikimedia Commons.

A maior concentração de pinturas rupestres em todo o continente americano está mais perto do que você imagina. No Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado entre quatro municípios do Piauí, estão cerca de 750 destes registros, feitos em diferentes épocas ao longo dos últimos 12 mil anos.

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Localizadas em áreas remotas e de difícil acesso do parque, as pinturas estão gravadas em tons de vermelho-sangue, amarelo e cinza nos grandes blocos de rocha onde ancestrais podem ter se abrigado.

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As pinturas rupestres da Serra da Capivara permanecem preservadas graças ao clima seco e a métodos sofisticados de fixação. Os pigmentos eram extraídos de minerais ricos em hematita e óxido de ferro, proporcionando tons terrosos.

Para garantir a aderência, os antigos habitantes utilizavam aglutinantes como sangue animal e resina de jatobá. A aplicação nos paredões de arenito era feita manualmente, com pincéis de fibras vegetais ou através da técnica de estêncil por sopro.

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Como são as pinturas rupestres do Piauí

Alguns especialistas em arte pré-histórica sugerem que as pinturas podem ser ainda mais antigas, sendo criadas até 36 mil anos atrás. Estas datas, inclusive, colocam o parque no centro de um debate científico que envolve a chegada dos nossos ancestrais às Américas.

Elas costumam estar dispostas lado a lado, podendo representar uma progressão linear de acontecimentos. Sua altura relativa ao chão fica entre 50 centímetros e dois metros, mas algumas cenas ocupam até dezenas de metros de rocha.

Os personagens e ações variam, além dos estilos dos traços. Seres humanos, animais selvagens e padrões geométricos e pontilhados são os símbolos mais comuns. As cenas vão desde caças e batalhas até danças e atividade sexual; um dos fragmentos mais famosos mostra duas figuras aparentemente humanas unidas em um beijo.

A importância histórica do parque

O Parque Nacional da Serra da Capivara é um Patrimônio Cultural da Humanidade reconhecido pela Unesco desde 1991. Os mais de mil sítios arqueológicos registrados na região permitem desvendar mais detalhes da vida dos nossos ancestrais, além da história mais recente das etnias indígenas que ali viveram.

"Os primeiros estudos dão indícios da presença de povos indígenas que habitavam o Nordeste até o fim do século XVI, e permaneceram relativamente desconhecidos dos portugueses e da colonização em geral", diz Leandro Surya, professor de Arqueologia e Preservação Patrimonial da Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco). "É um local bastante promissor pra arqueologia brasileira."

Como visitar

Para proteção das áreas de estudo, apenas 204 sítios identificados na Serra da Capivara estão disponíveis para visitação. As duas portas principais ficam na cidade de Coronel José Dias. A entrada é gratuita, mas a visita é obrigatoriamente guiada por um dos condutores autorizados pela administração.

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