Adolescente desloca mandíbula ao bocejar e especialista alerta: “não tente colocar no lugar”
O cirurgião bucomaxilofacial Dr. Rodrigo Fromer explicou como reconhecer uma luxação da mandíbula

O caso do adolescente de 14 anos que deslocou a mandíbula após um bocejo, em Brasília, chamou atenção para uma situação que pode acontecer quando a boca é aberta de forma excessiva. Mas, afinal, o que fazer quando a mandíbula sai do lugar? O cirurgião bucomaxilofacial Dr. Rodrigo Fromer explica como reconhecer uma luxação da articulação temporomandibular (ATM), quais medidas devem ser tomadas imediatamente e por que tentar corrigir o problema em casa não é indicado.
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Segundo o especialista, o principal sinal de uma luxação verdadeira é a boca permanecer aberta, sem que a pessoa consiga fechá-la.
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“A primeira coisa que a pessoa deve fazer em casos de deslocamento da mandíbula, ou seja, uma luxação completa, quando a mandíbula fica travada e a pessoa não consegue fechar a boca, é procurar um pronto-socorro ou atendimento médico. A luxação da articulação temporomandibular (ATM) é uma condição que não é autorreduzível. Ou seja, a própria pessoa não consegue recolocar a mandíbula no lugar e é necessária a ajuda de um profissional”, explicou o especialista.
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A alteração pode atingir apenas um lado da articulação ou os dois simultaneamente. Independentemente da extensão, a incapacidade de fechar a boca é o principal indicativo de que pode ter ocorrido uma luxação.
“O principal sinal é justamente a impossibilidade de fechar a boca. A luxação pode ocorrer de um lado ou dos dois lados, mas, em ambos os casos, a pessoa não consegue realizar o fechamento da boca e precisa procurar atendimento.”
O quadro também não deve ser confundido com o chamado travamento fechado da mandíbula. Nesse caso, ocorre justamente o oposto: o paciente não consegue abrir a boca.
“É diferente do chamado travamento fechado, em que a pessoa não consegue abrir a boca. Na luxação verdadeira, o quadro é caracterizado pelo travamento em abertura, ou seja, pela impossibilidade de fechar a boca.”
Por que a mandíbula sai do lugar?
A luxação costuma ocorrer durante movimentos de abertura máxima da boca, como um bocejo muito amplo. Nessa situação, uma das estruturas da mandíbula pode ultrapassar sua posição habitual dentro da articulação.
“As luxações geralmente acontecem durante movimentos de abertura máxima da boca. É muito comum, por exemplo, que ocorram durante um bocejo, quando a pessoa realiza uma abertura muito ampla.”
De acordo com Fromer, quando a mandíbula se desloca, o côndilo — estrutura que corresponde à cabeça da mandíbula — passa à frente da eminência articular, uma região localizada na base do crânio. A musculatura, então, contribui para manter a mandíbula presa nessa posição.
“Quanto mais tempo a luxação permanece, mais difícil pode ser realizar a redução, porque ocorre um estiramento dos ligamentos e uma contração da musculatura. Na luxação, o que acontece é que o côndilo, que é a cabeça da mandíbula, passa à frente de uma estrutura chamada eminência articular, localizada na base do crânio. A musculatura acaba tracionando a mandíbula de tal maneira que o côndilo fica preso nesta região.”
Por isso, o atendimento não deve ser adiado. A redução, nome dado ao procedimento para reposicionar a articulação, precisa ser realizada por um profissional capacitado.
“Por isso, é necessário realizar uma manobra de redução da luxação, que deve ser feita por um profissional. O especialista inicialmente indicado é o cirurgião bucomaxilofacial.”
Não tente recolocar a mandíbula em casa
Apesar da aparência angustiante do quadro, a recomendação é não tentar empurrar ou manipular a mandíbula para fazê-la voltar à posição normal. A tentativa deve ser feita em ambiente médico e por profissional com experiência no procedimento.
Um dos problemas enfrentados pelos pacientes é que nem todos os prontos-socorros possuem um cirurgião bucomaxilofacial presencialmente, o que pode fazer com que seja necessário buscar ou transferir o paciente para uma unidade com o especialista.
“Uma das dificuldades é que a maioria dos prontos-socorros não conta com um cirurgião bucomaxilofacial de plantão presencial. Muitas vezes, as equipes que estão no atendimento, como cirurgia geral ou clínica médica, não estão habituadas a realizar a redução dessas luxações. É uma manobra simples para o especialista que tem experiência com esse tipo de situação, mas pode ser mais difícil para profissionais que não estão acostumados a realizá-la.”
Quem já teve uma luxação pode ter novamente
Depois de um primeiro episódio, o risco de novas ocorrências aumenta. Isso acontece porque os ligamentos podem sofrer um estiramento durante a luxação, deixando a articulação mais suscetível.
“Depois da primeira luxação, existe, sim, um risco maior de novos episódios, justamente por conta do estiramento dos ligamentos. Após a redução, normalmente é utilizada uma bandagem de Barton, que funciona como um curativo para limitar a abertura da boca nos primeiros dias. O objetivo é evitar esforços e reduzir o risco de uma nova luxação.”
Durante a recuperação, portanto, é importante evitar movimentos que provoquem uma abertura exagerada da boca, conforme orientação do profissional responsável pelo atendimento.
Quando a cirurgia pode ser necessária?
Caso a mandíbula volte a sair do lugar, a recomendação é procurar novamente um pronto-socorro. Quando as luxações se tornam recorrentes, porém, o paciente pode precisar de uma avaliação especializada para determinar a necessidade de tratamento definitivo.
“Se houver uma nova ocorrência, é necessário procurar novamente um pronto-socorro. Quando os episódios passam a acontecer com frequência, pode haver indicação de tratamento cirúrgico. Consideramos uma luxação recidivante quando ocorrem três ou mais episódios ao longo de seis meses. Nesses casos, pode ser indicado um tratamento cirúrgico para a correção anatômica da articulação, com o objetivo de evitar novas luxações.”
