Urina humana está contribuindo para o derretimento do gelo no Everest
Além do consumo de combustíveis no Acampamento Base, a urina excretada por escaladores também está acelerando

Centenas de pessoas escalam o Monte Everest por ano, uma atividade que se tornou tão normal que o Acampamento Base recebe milhares de escaladores e membros das equipes de apoio. Para isso, o local conta com cafés, espaços com TVs, Wi-Fi, chuveiros quentes e até tendas com tapetes persas e pisos aquecidos.
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Porém, toda essa movimentação humana tem afetado a geleira Khumbu e contribuído com seu degelo, principalmente por três fatores: as mudanças climáticas globais, o consumo local de combustíveis fósseis e a excreção urinária humana.
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Localizado entre o Nepal e a China, o lugar está em transição. De acordo com um estudo publicado em junho deste ano na revista Springer Nature Link, os pesquisadores estimam que a cada primavera o local perde cerca de 3 milhões de quilos de gelo e neves glaciais, devido à energia usada para garantir o conforto dos visitantes.
O que diz o estudo


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Os autores coletaram dados na primavera de 2023 e constataram que naquele ano foram utilizados 824 cilindros de gás liquefeito de petróleo, mais 18 mil litros de querosene, e mais de 5 mil litros de gasolina para cozinhar e abastecer as 1.600 tendas do acampamento.
Além disso, algo impressionou os pesquisadores: eles detectaram que a urina humana foi responsável por 154 toneladas de degelo. Segundo eles, são mais de 6 mil litros excretados diariamente por guias e escaladores.
Apesar de o acampamento conter banheiros de fossa que coletam resíduos humanos de cerca de duas mil pessoas e que são levados montanha abaixo, a grande maioria deles urina nas geleiras. Isso causa um impacto direto na água que as comunidades bebem.
Os autores do estudo reforçam que, embora os resíduos humanos tenham um impacto preocupante para a montanha, os combustíveis usados para o aquecimento ainda assim são os maiores vilões do degelo.
Como foi realizado o estudo
Com base em dados captados em campo e via satélite de 1991 a 2023, o estudo revelou que o acampamento base do Everest aqueceu cerca de duas vezes mais rápido do que a própria área coberta de neve da geleira, na qual as taxas de degelo dobraram desde 2009 por conta das mudanças climáticas e também da atividade humana.
Esse cenário pode ampliar o risco de avalanches, como a que ocorreu no Nepal na última semana, tornar as escaladas ainda mais perigosas e contaminar as fontes de água potável das comunidades por causa dos fluidos corporais excretados, além de comprometer as irrigações, a energia hidrelétrica e a economia nepalesa, e aumentar o risco de inundações mortais por transbordamento glacial na região.
Além da urina, é possível ver também fezes congeladas ao longo do Everest. Os pesquisadores dizem que os escaladores deveriam utilizar sacos de higiene, mas quanto mais alto chegam, mais difícil é seguir as regras, especialmente devido à diminuição de oxigênio
O estudo aponta implicações no impacto potencial da escalada e do clima globalmente. Entre as medidas observadas que poderiam amenizar o problema está mudar o acampamento de lugar, para fora da geleira, em um local mais estável e com melhor logística para suporte de helicópteros, o que poderia diminuir a velocidade do degelo.
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