Eu sei o que fazer mas não consigo manter: porque saber não é suficiente pra mudar?
Talvez precise construir uma forma de se alimentar que funcione também nos dias difíceis

“Eu sei o que preciso fazer, mas não consigo manter.”
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Essa foi uma das respostas que mais chamou atenção em uma enquete recente sobre as dificuldades encontradas no dia a dia por mulheres que desejam emagrecer e cuidar melhor da saúde.
Leia também
E talvez essa frase explique mais sobre o processo de emagrecimento do que parece.
Afinal, informação não falta. Sabemos que precisamos comer melhor, consumir mais frutas, verduras e legumes, beber água, praticar atividade física, dormir bem e evitar o excesso de alimentos ultraprocessados.


JHC abre campanha com grande caminhada em Girau do Ponciano

JHC reúne Lira e Marina em grande caminhada em Girau: "vamos fazer muito mais pelo Agreste"

Arthur reforça apoio a JHC e diz que campanha começou a ser construída em 2022

Ao lado de JHC, Arthur promete unir capital e interior e destaca entregas em Alagoas
Então, por que tantas pessoas sabem exatamente o que deveriam fazer, mas continuam tendo dificuldade para colocar isso em prática?
Porque saber o que fazer e conseguir sustentar uma mudança são habilidades diferentes. Conhecimento ajuda a tomar uma decisão. Mas não garante que essa decisão será repetida todos os dias, principalmente quando a rotina aperta.
É muito comum a mulher começar uma dieta determinada a fazer tudo perfeito. Organiza as refeições, corta os doces, passa a controlar as quantidades e promete que, dessa vez, será diferente.
Durante alguns dias, funciona. Até que chega uma semana mais corrida, um problema no trabalho, uma noite mal dormida, um compromisso familiar ou simplesmente um dia em que ela está cansada.
E então vem o pensamento: “Já que não consegui fazer direito, vou começar de novo na segunda-feira.” É aí que aparece o conhecido ciclo do tudo ou nada.
A pessoa não precisa apenas aprender o que comer. Precisa aprender a lidar com os dias em que não conseguirá fazer tudo como planejado.
Outro ponto importante é que muitas estratégias são pensadas para uma rotina ideal — e não para a vida real.
Uma mulher que trabalha, cuida da casa, dos filhos, tem compromissos e pouco tempo disponível pode até saber que deveria preparar todas as refeições da semana. Mas será que essa estratégia é realmente possível para ela?
Quando o plano exige uma rotina que a pessoa não consegue sustentar, o problema não é necessariamente falta de disciplina. Pode ser que a estratégia precise ser adaptada.
Também existe um erro comum: tentar mudar tudo de uma vez.
Cortar açúcar, diminuir carboidratos, aumentar proteína, comer salada em todas as refeições, beber três litros de água, começar a treinar cinco vezes por semana e dormir mais cedo.
Na teoria, tudo parece ótimo. Na prática, pode ser impossível manter tantas mudanças simultaneamente.
Por isso, uma mudança consistente costuma começar de maneira muito mais simples: escolhendo comportamentos possíveis de repetir.
Uma fruta no café da manhã.
Uma porção de vegetais no almoço.
Mais proteína em uma refeição.
Levar uma garrafa de água para o trabalho.
Planejar uma opção para o jantar nos dias mais corridos.
São atitudes aparentemente pequenas, mas que, quando repetidas, deixam de depender de motivação e começam a fazer parte da rotina.
E existe ainda outro fator que precisa ser considerado: a alimentação não acontece apenas pela fome. Cansaço, estresse, ansiedade, privação de sono, falta de planejamento e até o ambiente em que vivemos podem influenciar nossas escolhas.
Por isso, dizer simplesmente “você sabe o que fazer, é só ter disciplina” é uma explicação muito simplista para um problema complexo.
Saber é o primeiro passo. Fazer é o segundo. Sustentar é o verdadeiro desafio.
Talvez você não precise de mais uma dieta, mais uma lista de alimentos proibidos ou mais uma promessa de começar na segunda-feira.
Talvez precise construir uma forma de se alimentar que funcione também nos dias difíceis.
Porque a transformação não acontece quando você consegue seguir tudo perfeitamente por uma semana.
Ela acontece quando você aprende a continuar mesmo depois de sair do planejado.
Quando um almoço não foi equilibrado, você não precisa esperar o jantar para “compensar” nem esperar a segunda-feira para recomeçar.
Quando comeu um doce, não precisa transformar aquele momento em um dia inteiro de exageros.
Quando perdeu um treino, não precisa abandonar a atividade física.
Você simplesmente volta para a próxima escolha possível.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja “Eu sei o que fazer?”.
Mas sim: “O que eu sei fazer que consigo repetir na minha vida real?”
Porque saber pode mudar uma decisão. Mas é aquilo que conseguimos sustentar que, de fato, transforma o nosso corpo, a nossa saúde e a nossa relação com a alimentação.
Luciana Leme
Nutricionista – CRN3: 29.513
Saúde da Mulher.
(Luciana Leme é nutricionista com atuação em saúde da mulher, emagrecimento e mudanças hormonais femininas, atendendo mulheres que buscam recuperar energia, qualidade de vida e equilíbrio metabólico).
@lemelunutri – instagram
@lucianalemenutri – Youtube
(11) 97247-2729
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
