Comer pouco não é o mesmo que comer bem: quando a busca por poucas calorias pode atrapalhar o emagrecimento
Uma alimentação adequada para o emagrecimento precisa oferecer mais do que poucas calorias

Na tentativa de emagrecer, muitas mulheres passam a olhar para a alimentação com uma única pergunta: “Quantas calorias tem isso?”. A partir daí, começam a escolher versões light, diet, produtos com poucas calorias e refeições cada vez menores.
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O problema é que comer menos não significa, necessariamente, comer melhor.
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Uma alimentação adequada para o emagrecimento precisa oferecer mais do que poucas calorias. Ela deve fornecer nutrientes, proteínas, fibras e energia suficientes para sustentar a rotina, favorecer a saciedade, ajudar na manutenção da massa muscular e no equilíbrio hormonal.
É possível, por exemplo, fazer um café da manhã com poucas calorias e, ainda assim, sentir fome pouco tempo depois. Um café com um biscoito “fit” pode parecer uma escolha leve, mas talvez não ofereça proteína, fibras e nutrientes suficientes para sustentar a mulher até a próxima refeição.


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O mesmo acontece quando alguém pula o almoço para “compensar” um jantar, reduz drasticamente o jantar depois de comer uma sobremesa ou passa horas sem comer para economizar calorias.
A conta pode até parecer positiva no papel, mas o comportamento alimentar nem sempre acompanha essa lógica.
Diet e light são necessariamente mais saudáveis?
Não. E isso não significa que esses produtos sejam ruins ou que precisem ser proibidos.
Os termos “diet” e “light” têm significados específicos e não são sinônimos de “saudável”, “natural” ou “emagrecedor”.
Um alimento diet é formulado com a retirada ou redução significativa de determinado componente, como açúcar, dependendo da finalidade do produto. Já o alimento light apresenta redução de pelo menos um componente em relação à sua versão convencional, de acordo com os critérios estabelecidos para essa classificação.
Isso não significa que o produto tenha uma composição nutricional ideal.
Um alimento pode ter menos açúcar, gordura ou calorias e continuar sendo um alimento ultraprocessado, com pouca fibra, pouca proteína ou baixa densidade nutricional.
Por isso, olhar apenas para a palavra “light”, “diet”, “zero” ou “fit” na embalagem pode criar uma falsa sensação de segurança.
O perigo da “economia de calorias”
Quando a mulher passa o dia tentando economizar calorias, pode acabar construindo refeições pequenas demais e pouco satisfatórias.
Ela toma café da manhã correndo, faz um lanche mínimo, almoça pouco, evita carboidratos, escolhe um produto diet no meio da tarde e chega ao final do dia com fome, cansaço e desejo intenso por alimentos mais palatáveis.
Então come mais do que gostaria.
E muitas vezes termina o dia acreditando que “não tem força de vontade”.
Mas talvez o problema não tenha começado à noite.
Pode ter começado pela manhã, quando ela decidiu que precisava comer o mínimo possível.
Emagrecer não deveria significar viver com fome
Existe uma diferença importante entre uma alimentação planejada para gerar déficit energético e uma alimentação baseada em restrição constante.
Para emagrecer, é necessário que exista um balanço energético compatível com a perda de gordura. Mas isso não significa que a estratégia precise ser passar fome, eliminar grupos alimentares ou escolher sempre a menor opção disponível.
Uma refeição estratégica pode ser mais satisfatória mesmo sem ser exagerada.
Ela pode combinar uma boa fonte de proteína, vegetais e fibras, carboidratos em quantidade adequada e fontes de gordura, de acordo com as necessidades e objetivos individuais.
O resultado é uma alimentação que não olha apenas para “quanto eu posso economizar?”, mas também para “o que meu corpo precisa para funcionar bem e me manter satisfeita?”.
O que colocar no prato, então?
Em vez de perguntar somente “qual alimento tem menos calorias?”, comece a se perguntar:
Tem proteína?
Tem fibras e vegetais?
Essa refeição vai me deixar satisfeita?
Estou recebendo nutrientes importantes?
Consigo manter essa escolha na minha rotina?
Estou escolhendo esse produto porque gosto dele ou porque acredito que, por ser light, posso comer sem culpa?
Essa mudança de perspectiva pode parecer pequena, mas representa uma transformação importante na relação com a comida.
Porque emagrecer não deveria ser uma competição para descobrir quem consegue comer menos, e sim um processo de aprender a comer melhor, com estratégia e consciência.
E talvez essa seja uma das maiores mudanças que uma mulher pode fazer quando percebe que o problema não está apenas na quantidade de comida que coloca no prato, mas na qualidade, na composição e na forma como está organizando a própria alimentação.
Comer menos pode reduzir calorias. Comer bem pode ajudar a construir um emagrecimento mais sustentável.
E são duas coisas muito diferentes.
Luciana Leme
Nutricionista – CRN3: 29.513
Saúde da Mulher.
(Luciana Leme é nutricionista com atuação em saúde da mulher, emagrecimento e mudanças hormonais femininas, atendendo mulheres que buscam recuperar energia, qualidade de vida e equilíbrio metabólico).
@lemelunutri – instagram
@lucianalemenutri – Youtube
(11) 97247-2729
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
