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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem ANM autoriza pesquisa de terras raras em Alagoas

BLOG DO
Edivaldo Júnior

ANM autoriza pesquisa de terras raras em Alagoas


				ANM autoriza pesquisa de terras raras em Alagoas
Reprodução

Alagoas entrou oficialmente em uma nova frente de pesquisa mineral. A Agência Nacional de Mineração (ANM) autorizou a Neominera Mineral Intelligence a pesquisar terras raras em uma área de 923,19 hectares entre Estrela de Alagoas e Bom Conselho, em Pernambuco.

O alvará foi publicado na terça-feira (18/08) e tem validade de três anos. A empresa terá prazo de até 60 dias para iniciar os trabalhos de campo. A autorização, no entanto, não significa que exista uma jazida de terras raras comprovada na região. A pesquisa é justamente a etapa que vai tentar confirmar se há ocorrência mineral e se ela apresenta condições para avançar para estudos mais detalhados e, futuramente, eventual exploração.

A novidade surge num momento em que terras raras ganharam importância econômica e geopolítica mundial. São 17 elementos químicos utilizados, entre outras aplicações, em motores elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, equipamentos de alta tecnologia e sistemas de defesa. A ANM classifica esse grupo dentro da discussão dos minerais críticos e estratégicos, considerados fundamentais para a transição energética, para a indústria e para a segurança de suprimentos.

O Brasil tem uma posição relevante nesse mercado. Dados mais recentes da ANM apontam reservas de aproximadamente 11,4 milhões de toneladas de terras raras, equivalentes a 13,9% das reservas mundiais consideradas no levantamento, atrás apenas da China. Apesar disso, a produção brasileira ainda é pequena diante do potencial geológico existente.

Prospecção

A área de Alagoas faz parte de um conjunto de três autorizações concedidas à Neominera, startup fundada no Recife em abril deste ano. Os alvarás abrangem 2.803 hectares em cinco municípios de Pernambuco e Alagoas.

Além de Estrela de Alagoas e Bom Conselho, a empresa recebeu autorização para pesquisar terras raras em Caetés e numa área entre Arcoverde e Pedra, ambos em Pernambuco.

A empresa utiliza uma plataforma denominada Lithos, que reúne dados de geologia, geoquímica, geofísica, sensoriamento remoto e informações regulatórias. Modelos de inteligência artificial e análise espacial são empregados para selecionar áreas consideradas mais promissoras antes do início do trabalho de campo.

Segundo informações divulgadas pela empresa, há ainda outros 11 requerimentos em análise na ANM. O portfólio inclui oportunidades relacionadas não apenas a terras raras, mas também a cobre e níquel.

Pesquisa

O interesse por terras raras tem aumentado rapidamente no país. Segundo o Sumário Mineral Brasileiro 2025, da ANM, foram concedidos 1.370 novos alvarás de pesquisa envolvendo terras raras e monazita somente em 2024, crescimento de 291% em relação ao ano anterior.

Os investimentos declarados em pesquisa mineral de terras raras chegaram a R$ 89,9 milhões naquele ano, com aumento de 34,7% sobre 2023.

O movimento acompanha uma disputa internacional cada vez maior por minerais utilizados em tecnologias estratégicas. A China concentra aproximadamente 60% da mineração mundial de terras raras e entre 85% e 90% do refino, segundo informações reunidas pela ANM a partir de dados da Agência Internacional de Energia.

Essa concentração ajuda a explicar por que Estados Unidos, União Europeia e outros países passaram a estimular novas fontes de produção e processamento.

Nova frente

A pesquisa em Estrela de Alagoas amplia um mapa mineral que já começa a apresentar novas possibilidades no Estado. Alagoas possui produção comercial de cobre em Craíbas, através da Mina Serrote, além das atividades tradicionais relacionadas a calcário, areia, brita e outros minerais. Levantamentos recentes da ANM também apontam novas autorizações de pesquisa para diferentes substâncias em várias regiões do Estado.

A autorização para terras raras não permite, neste momento, estimar reservas, investimentos futuros, geração de empregos ou arrecadação. Esses efeitos somente poderão ser avaliados se a pesquisa confirmar um depósito com viabilidade técnica, econômica e ambiental.

Mas o simples início dessa investigação coloca Alagoas dentro de uma discussão que ganhou importância mundial. E abre também uma série de perguntas: qual é efetivamente o potencial mineral do Estado? Quanto a mineração já movimenta na economia alagoana? Quanto deixa de royalties para o Estado e os municípios? E a legislação brasileira está preparada para conciliar expansão da atividade, segurança ambiental e direitos dos proprietários das terras onde estão esses recursos?

Essas são algumas das questões que o Blog do Edivaldo Junior vai abordar em uma série especial sobre mineração em Alagoas.

Na próxima reportagem, os números começam a dar uma dimensão dessa mudança: depois da entrada em operação da Mina Serrote, em Craíbas, a arrecadação da CFEM — o royalty da mineração — saltou de cerca de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 26 milhões por ano.

Claro, ministro. Eu colocaria esse inter logo depois do terceiro parágrafo, antes de entrar na inteligência artificial:

O que são terras raras?

Apesar do nome, terras raras não são “terras” e nem necessariamente minerais raríssimos. Terras raras é o nome dado a um conjunto de 17 elementos químicos. Entre os mais conhecidos estão neodímio, praseodímio, disprósio, lantânio e cério, usados em motores elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, equipamentos médicos e tecnologias de defesa.

Eles estão presentes, por exemplo, em celulares, computadores, motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, sistemas de defesa e diversos componentes eletrônicos. Em muitos casos, pequenas quantidades desses elementos são suficientes para melhorar desempenho, resistência, magnetismo ou eficiência dos equipamentos.

O problema não é apenas encontrar terras raras no solo. O maior desafio está em localizar depósitos com concentração suficiente para permitir exploração econômica e, depois, separar e processar esses elementos, uma atividade tecnicamente complexa e concentrada hoje em poucos países.