Bebê de 3 meses vítima de maus-tratos morre no hospital; pai foi preso
Criança apresenta fraturas, hemorragia e edema cerebral, além de ter sofrido parada cardíaca e crises convulsivas;

O bebê de três meses que estava internado em estado gravíssimo após suspeita de agressão pelo pai morreu na madrugada deste domingo, informou Hospital Prontobaby, na Tijuca, onde a vítima estava internada desde o início de julho. O pai da criança, Yuri Sebastian Moura Rocha, foi preso preventivamente no sábado em Olaria, na Zona Norte do Rio, por suspeita de maus-tratos que resultaram em lesões graves.
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Segundo a Polícia Civil, o bebê apresentava múltiplas lesões, entre elas fraturas, hemorragia e edema cerebral. A criança também sofreu episódios de parada cardíaca e crises convulsivas e apresentava grave comprometimento neurológico. Na ocasião da prisão do pai, a Polícia Civil informou que o bebê estava em estágio de possível morte cerebral.
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Em nota divulgada neste domingo, o Grupo Prontobaby informou que o bebê estava internado na unidade desde o dia 2 de julho e que está prestando assistência aos familiares. A empresa afirmou ainda que permanece em comunicação e colaboração com as autoridades e que disponibiliza as informações e os registros necessários para o esclarecimento dos fatos.
A causa da morte não foi divulgada, mas o GLOBO apurou que não foi morte encefálica, já que ainda havia atividade cerebral no bebê. Um novo protocolo de exames para analisar a função cerebral seria feito nesta segunda-feira.


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Pai foi preso
A investigação começou a partir de uma cooperação entre a DCAV e o Ministério Público do Rio (MPRJ) na sexta-feira, diante do grave estado de saúde da criança. De acordo com as apurações, o bebê deu entrada no hospital com sufocamento por engasgo e com diversas lesões na costela e intracranianas. Questionado, o pai teria justificado que os ferimentos foram causados por uma manobra torácica feita por ele.
Durante as diligências, foram identificadas as diferentes lesões sofridas pelo bebê. De acordo com a Polícia Civil, os elementos reunidos até agora não são compatíveis com as versões apresentadas pelo pai para explicar a origem dos ferimentos, o que levou ao aprofundamento das investigações.
— O bebê precisou ser internado na UTI. Depois de 27 dias, apresentou uma melhora e foi para a enfermaria. No quarto, teve contato novamente com os pais e voltou a apresentar engasgo durante a amamentação e novas lesões, como nas pernas, que pararam de se movimentar, e hematomas por outras partes do corpo. Ele, então, retornou para a UTI, tendo várias crises convulsivas e paradas cardíacas. Agora, foi diagnosticado com morte encefálica. Amanhã, ele vai passar por um outro exame para confirmar o laudo — contou a delegada Maria Luíza Machado, titular da DCAV.
Segundo a corporação, já existia uma medida protetiva determinando o afastamento dos pais da criança. A investigação continua para esclarecer as circunstâncias em que o bebê sofreu as lesões.
Omissão do hospital?
O MPRJ e a DCAV foram notificadas sobre o caso na sexta-feira. Acionaram, então, a Justiça, que concedeu um mandado de prisão preventiva contra o pai, que está sendo investigado por maus-tratos.
— Quem foi preso foi o pai, porque, até o momento, os indícios indicam apenas autoria em face dele. Mas, hoje, já ouvimos a mãe, e vamos dar seguimento às investigações para chegar a possíveis outros culpados — disse Maria Luiza Machado.
O MPRJ informa que a 8ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital apura se houve omissão do hospital na notificação do caso às autoridades, uma vez que, embora o bebê esteja internado desde o início de julho, a comunicação às autoridades só tenha ocorrido nesta sexta-feira. O O órgão diz que investiga ainda "se houve falta funcional por parte dos conselheiros tutelares que foram notificados sobre os maus-tratos praticados por Yuri contra a criança".
O hospital, por sua vez, informou que notificou o Conselho Tutelar no mesmo dia da admissão da criança, em 2 de julho, seguindo os protocolos aplicáveis a situações que exigem acompanhamento pela rede de proteção à criança e ao adolescente. Segundo o Grupo Prontobaby, portanto, não procede a informação de que teria havido demora ou omissão na comunicação ao órgão competente.
