Comendo carcaça, abutres reciclam nutrientes e podem controlar doenças
Aves necrófagas, como o abutre, removem carcaças, ajudam a conter doenças e mantêm o equilíbrio dos ecossistemas

As aves de rapina costumam chamar atenção pela imponência, pela habilidade de caça e pelo papel como predadoras no topo da cadeia alimentar. Entre elas, os abutres se destacam por se alimentarem de animais mortos, o que muitas vezes leva a uma associação negativa. Ainda assim, é justamente essa característica que os torna essenciais para o equilíbrio do meio ambiente.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

As aves podem facilmente serem confundidas com os urubus — bastante comuns no Brasil. No entanto, apesar da semelhança no hábito alimentar, não se trata do mesmo grupo.
Leia também
Os abutres pertencem à família Accipitridae e vivem em regiões da África, Ásia e Europa. Já os urubus fazem parte da família Cathartidae e são exclusivos das Américas. Mesmo com origens distintas, ambos exercem funções semelhantes na natureza.
“Faxineiros” naturais dos ecossistemas


🚨🚨 URGENTE 🚨🚨 Davi não comparece à luta com Rico, no Rancho do Maia #alagoas #tvgazeta

Renan projeta nova gestão com Lula e diz que Bolsonaro agiu contra Alagoas

Paulo Dantas critica PSDB e diz que servidores não sabiam quando receber

Luciano declara voto em Renan e Lira: “Senado não é para quem está começando”
Ao se alimentarem de animais mortos, os abutres desempenham uma função central na cadeia alimentar. Eles aceleram a decomposição e devolvem nutrientes ao ambiente.
“Essas aves se especializaram no consumo de carcaças e atuam como ‘faxineiros’ da natureza, reciclando nutrientes como carbono, nitrogênio e fósforo”, afirma o biólogo Guilherme Bordignon Ceolin, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Sem essa ação, a matéria orgânica levaria mais tempo para se decompor, o que afetaria o funcionamento dos ecossistemas.
A remoção rápida de carcaças também tem impacto direto na saúde ambiental. Quando um animal morre, o corpo passa por processos que favorecem a proliferação de microrganismos.
“O consumo rápido desses restos reduz o tempo de exposição no ambiente e diminui as chances de disseminação de agentes infecciosos”, cita o médico veterinário Helton Fernandes dos Santos, também professor da UFSM.
Ao retirar esse material, os abutres reduzem a presença de vetores e o contato de outros animais com possíveis patógenos.
Adaptação permite consumo de carne em decomposição
Uma das características que mais chamam atenção é a capacidade das aves de consumir carne em decomposição sem adoecer com facilidade. Isso acontece graças a adaptações desenvolvidas ao longo da evolução.
“O estômago dos abutres tem um ambiente extremamente ácido, capaz de inativar muitos microrganismos”, afirma Santos. Além disso, o sistema imunológico e a microbiota das aves são adaptados para lidar com a alta carga de bactérias, vírus e toxinas presentes nas carcaças.
O que acontece quando os abutres desaparecem
A redução das populações de abutres tem consequências diretas para o ambiente e para a saúde pública. Sem as aves, a decomposição da matéria orgânica se torna mais lenta.
“Em locais onde há queda dessas populações, a decomposição pode levar até o dobro do tempo”, destaca a professora Eleonora D’Avila Erbesdobler, do curso de medicina veterinária do Centro Universitário Uniceplac, em Brasília.
Nesse cenário, cresce a presença de moscas e outros animais que atuam como transmissores de doenças. Diferente dos abutres, esses vetores não eliminam os patógenos. “A ausência das aves favorece a disseminação de bactérias e aumenta o risco de zoonoses”, explica.
Acompanhe a matéria em Metrópoles.com
